<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177</id><updated>2011-09-09T10:57:47.343-03:00</updated><title type='text'>Os Versos Porcos de Arnaldo Pereira</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>33</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-1931312842951027376</id><published>2010-08-09T21:10:00.000-03:00</published><updated>2010-08-09T21:12:38.896-03:00</updated><title type='text'>De Versos Porcos</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;br/&gt;&lt;div align='justify'&gt;Na manhã de hoje decidi seguir a obviedade de um ser honesto. Resolvi beber mais. Estar entorpecido é o mais próximo que chego do que almejo. E quero ser assim: honesto. Manterei meu estilo de vida.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align='center'&gt;***&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;br/&gt;Hoje Laura, mais uma vez, se foi. E sinto sua falta. Acho que por ela não ter feito como o de costume e só sumido, sua despedida teve um gosto um pouco mais, digamos, seco. Essa manhã ainda ecoa na minha cabeça. O som dos seus passos, quando me informou para onde iria. Todos esses fatos fizeram de sua despedida mais real. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nunca fui de sofrer assim por mulher alguma e tal poetisa de versos frágeis e olhar torto não será protagonista do meu virgem sofrimento. Vou sofrer por todas menos ela. Vou lembrar-me de cada uma e afogar minhas bochechas, um dia altas de uma felicidade apaixonada, hoje baixas e murchas. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Com prontidão vi minha mão direita estender-se em direção ao copo cheio de café. Café que ela não beberia mais. Virei o copo na pia e assisti o seu líquido anoitecer ralo abaixo. Pensei em todas as noites que acabavam comigo as jogando ralo abaixo. Todas as mulheres antes e durante a minha mais recente desgraça. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas Laura ainda era o som da minha pia. Ainda a sentia e esperava que a qualquer segundo reclamasse que o café que derramei tão displicentemente na pia iria manchar. Abri a torneira deixando que a água escorresse, olhei para a porta e pensei “viu, não vai manchar agora”. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ouvi um barulho na porta e não me preocupei com roubo. Sabia que era ela voltando atrás, iria reconhecer o engano. Mas era somente um porteiro avisando-me que a porta estava aberta. Percebi então o meu estado deprimente.  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Só nesse momento pude me ver como um verdadeiro protagonista. Sim, eu havia me tornado aquele que chora, aquele que espera até o fim quando já perdeu. O meu livro venderia muitas cópias, nenhuma para mim, no entanto. Não gosto desse meu papel. Assim como não gosto de nenhum personagem flutuando ao redor deste anti-herói. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Me levantei na esperança que o meu eu atual não tivesse essa atitude. Não pensei em Laura, pensei em Natasha, a vodka que imaginei ainda estar hospedada na geladeira. Não havia vodka alguma e sei quem a levou. Mas logo desviei minha mão do buraco vazio para uma cujo nome me escapa. E comecei a beber. Não me lembro de parar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div align='center'&gt;***&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;br/&gt;- ei...? Armando? Ei.&lt;br/&gt;Senti um cotovelo estranho a me cutucar.&lt;br/&gt;- era Armando mesmo? &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Virei-me com lentidão. Meu cérebro já latejava. Era mais uma jovem falsa intelectual que como nos velhos tempos entorpeci e trouxe para cama. Na verdade, nada interessa além dessas poucas informações. Pois agora sou um homem honesto. E para essa sou Armando, o homem que fez dela vadia e a indicou a porta. E para todos os outros sou apenas mais um bêbado tropeçando pelas esquinas de Copacabana vomitando sobras de versos porcos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-1931312842951027376?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/1931312842951027376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=1931312842951027376&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/1931312842951027376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/1931312842951027376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2010/08/depois-de-versos-porcos.html' title='De Versos Porcos'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-3207439713437794189</id><published>2010-03-04T03:38:00.000-03:00</published><updated>2010-03-04T03:39:07.037-03:00</updated><title type='text'>Sobriedade em palco</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Começo por dizer que este breve acontecimento foi um pequeno exemplo do que é a minha vida sóbrio:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- eu nunca peço nada, Arnaldo. &lt;br/&gt;- não importa. &lt;br/&gt;- eles realmente querem te ouvir! Você tem que admitir que isso é uma raridade.&lt;br/&gt;- Laura, não. Simples.  Não vou participar da sua leitura como algo que se aproxima mais de um prêmio de consolação do que qualquer coisa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Verdade é que Laura lançava um livro de poesia, fraquíssimo por sinal, e eu só tinha poucos versos que ainda nem me agradavam. Mas para a minha infelicidade, ela estava certa e depois de me encher o saco, no fim daquela noite lá estava eu. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- senhor Pereira, Arnaldo Pereira? perguntou um jovem que parecia ter entrado na faculdade ontem, pode subir ao palco. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Me apresentei. Falei sobre os poucos versos que tinha, tentando fazer deles os mais louváveis possíveis. Não sei o que houve, mas eu posso afirmar que me surpreendi. E surpreendi a todos, modéstia parte.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Entre uma das muitas perguntas, houve uma feita por uma jovem bonita de olhos grandes marcante por levantar a mão de forma adorável, parecia criança. Apontei para ela e a chamei.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- senhor Pereira...&lt;br/&gt;- Arnaldo, interrompi (com segundas, terceiras e quartas intenções), sim?&lt;br/&gt;- Arnaldo, continuou com um sorriso escondido, meio sapeca, no canto da boca, sobre os seus versos... &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma breve colocação:&lt;br/&gt;Talvez a sua pergunta tenha sido uma das poucas perguntas que me interessei mesmo em responder, na verdade. Não pensem que não gosto de perguntas bem feitas, mas me canso rápido de um assunto tão desconstruído. Todo dia olho para o monitor e tento entender porque nada sai. Enquanto Laura cospe poemas que os leitores mais idiotas devoram, fico buscando a excelência e me fodo. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ...o que acha?&lt;br/&gt;- é, não comparo os meus versos aos de Laura e não somos um casal, moramos juntos por conveniência. E o sexo, não posso esquecer, mas momento só por conveniência. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Desci do palquinho dando espaço para Laura. Ainda estava meio frustrado pelo forte sentimento de “banda de abertura”. Resolvi beber uma água (mais uma merda de leitura sem bebida).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Arnaldo? Ocupado? &lt;br/&gt;Era a jovem de olhos grandes. A noite parecia ter melhorado de um segundo para o outro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não, nem um pouco. Diga?&lt;br/&gt;- sobre a Laura, vocês realmente não são um casal. &lt;br/&gt;- não. Pode ter certeza.&lt;br/&gt;- ela costuma levar homens para o seu apartamento?&lt;br/&gt;- não. Acho que ela ainda respeita o fato de que o apê é meu.&lt;br/&gt;- só isso mesmo... virou e começou a se afastar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Achei tudo aquilo muito estranho, no entanto percebi que minha noite havia chegado a um fim naquele momento. Não esperei Laura terminar para me retirar. Andei alguns quarteirões. Sóbrio e cabisbaixo, admito que senti uma certa inveja de Laura. Brinquei com a ideia de que além de me colocar como abertura (me provando inferior de uma vez por todas) ainda tomou o meu posto de usar da burrice de jovens raparigas para carregar elas para o apartamento.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ao chegar, após ter dificuldades com a minha porta empenada, me joguei na minha cama. Uma cama nada confortável para se deitar sóbrio. Mas dormi profundamente, algo que não fazia há tempos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Arnaldo? Ouvi um bater violento na porta da frente acompanhando a voz de Laura. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Também ouvi umas risadas que não me soavam estranhas. Me levantei e fui desempenar a porta para uma Laura acompanhada e bêbada. Quando abri a porta fui surpreendido por uma presença feminina.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- acho que você já conhece a Pâmela, não é Arnaldo? Vai gatinha, entra no quarto, já vou. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Abaixei a cabeça ouvindo os passos serelepes daquelas duas. Era demais pra mim. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Então concluo, estar sóbrio é uma merda.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=54fd240f-f371-8d4f-a809-3a96e174271b' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-3207439713437794189?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/3207439713437794189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=3207439713437794189&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/3207439713437794189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/3207439713437794189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2010/03/sobriedade-em-palco.html' title='Sobriedade em palco'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-6448074908421095223</id><published>2009-09-18T17:09:00.001-03:00</published><updated>2009-09-27T23:22:35.199-03:00</updated><title type='text'>(mesmo que seja) Amor e carinho</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Saio de cima dela. É um ato indesejado, sem dúvida, mas preciso ir. Preciso sair deste lugar. Me visto ainda sentado na cama e sinto sua mão acariciando minhas costas. Um dos muitos atos de carinho que sofri nesta madrugada. Só quero ir embora. Quero voltar a ser somente um cadáver contraditório que vaga as ruas de Copacabana. Então me retiro quando sinto sua mão cair e sei que adormeceu.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A leitura de Sofia Folhas já havia acabado. Não apareceu e os convidados se retiraram. Não conseguia ler enquanto gemia de costas para mim com o peito encostado contra o colchão improvisado que encontramos no segundo andar do casarão escolhido no bairro. Os seus convidados esperaram, esperaram, e se foram. Assim como o vinho de graça. E a cachaça. Eu tropeçava, ainda com o odor da autora celebrada naquela noite, de uma porta do salão vazio em direção a outra. Sofia merecia dormir. Afinal, havia estragado sua primeira leitura no Rio e agora pretendia sumir. Abaixei a cabeça, mas não fiquei “cabisbaixo”, e andei até meu apartamento, distância de poucos quarteirões. Ainda sentia o cheiro do vinho barato misturado com o cheiro de sexo, dois odores inconfundíveis. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Chegando no meu prédio fui recebido pelo porteiro e a ótima notícia que o cabo do elevador estava “escangalhado”. O xinguei, por falta de alvo, e continuei minha maratona, agora teria que subir escadas. Escada após escada via a sujeira acumulada entre cada degrau e o sofrimento da área que provavelmente só havia frequentado três ou quatro vezes nos últimos anos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Como um fumante exausto e sem ar, cheguei no meu andar. Horizontalidade. Havia esquecido o quanto era bom saber que o meu próximo passo não teria que levantar esta carcaça que chamo de corpo. Abro a minha porta e a vejo acordada e bebendo. Laura usava uma camisa desabotada que certamente era minha e nada mais. Me olhou com olhar de desprezo e falou:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não está bêbado o suficiente. Vai ser sincero. Não quero você sincero. Vem beber. – Me sentei.&lt;br/&gt;- não saiu?&lt;br/&gt;- já voltei. Como foi a leitura daquela mocinha. Comeu ela de novo? Pelo seu cheiro...&lt;br/&gt;- foi uma merda. Não sei como achei que aquela menina era talentosa. – virei meio copo de cachaça.&lt;br/&gt;- comeu, certamente, – riu – você sempre faz isso. Só admira a pessoa até gozar dentro dela. Depois ela é só mais “uma”. Sofia Folhas, né? A menina do “Esperança”. Li o livro e achei de qualidade. Você me recomendou, aliás. – Verdade, eu havia lhe dado o manuscrito.&lt;br/&gt;- e você, Laura, – virei o quarto copo de cachaça – o que faz aqui? É o amor por esse autor morto que nunca vai ser citado no “Prosa e Verso” ou naquela merdinha de jornal literário de bairro que considerou você um dos mais promissores talentos poéticos deste ano? – tentei acabar com esse assunto, sabendo que ela acredita tanto no amor quanto eu. Também tinha tanto nojo de seus prêmios quanto eu.&lt;br/&gt;- pode ser. Acho que lhe considero meu consolo humano, de todas as formas. Sou uma parasita assumida. E você é um merda, alguma dúvida?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Levantei e antes que pudesse ir para o meu quarto senti uma mão no meu peito e outra descendo a minha barriga. Laura me abraçava e mordia minha orelha. Falava obscenidades no meu ouvido. E fazia sentido. Gostava de mim assim, acabado. Cada um com o seu fetiche. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Laura, uma eterna apaixonada por mim. Pouco me importo. É sempre bom chegar em casa para uma mulher seminua querendo te dar, mesmo que seja amor e carinho.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=a715352f-bd1e-8854-9f58-0b96f4e426e1' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-6448074908421095223?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/6448074908421095223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=6448074908421095223&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/6448074908421095223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/6448074908421095223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/09/mesmo-que-seja-amor-e-carinho.html' title='(mesmo que seja) Amor e carinho'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-6400304909131782469</id><published>2009-08-26T22:59:00.001-03:00</published><updated>2009-08-26T22:59:35.985-03:00</updated><title type='text'>Fumaça</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Hoje voltei a fumar. Foi uma delícia por um maço inteiro, pois assim contei o tempo. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não lembrava mais por que havia parado. Nunca liguei para a minha saúde e, verdade, ter o domínio de um bastão fálico em chamas entre meus dedos faz com que eu me sinta “cool”. E seguro, auto estima nas nuvens. Esquecia todas minhas inseguranças e sentia que era dever da raça feminina se ajoelhar à minha frente e pedir um cigarro, somente um, para que pudesse negar e esnobar. Como fumante me comparava aos grandes homens dos anos cinquenta e me dava o direito de ser esnobe. Não me faltava esta imagem. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E eu era este esnobe que poluía, com prazeres quase eróticos, o rosto dos meus jovens leitores que se sentaram a minha frente na noite do meu grande lançamento. Nunca me esquecerei de quando era aquele jovem arrogante que só via dificuldades com fósforos ao abusar da superioridade hierárquica de ser o autor de sucesso perto de fãs que pagavam pelas suas palavras. Me via como uma mistura de Carlos Drummond de Andrade com James Dean.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Agora me vejo com olhos mais amadurecidos. No entanto, o amadurecimento não mudou o prazer tântrico daquele maço. Marlboro. Sim, me fiz o clichê, comprei o maço que já dominou toda uma cultura pop. Não comprei um isqueiro, sou fã da utilização de fósforos como os condutores da chama que fará do meu cigarro arma odiado por todos e venerada por mim. Vejo o fogo tão levemente translúcido queimar o bastão que posso admitir me dar o maior prazer, sem pensar em sexualidade, do primeiro ao último trago.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- vem Arnaldo. Ela diz, nua enquanto me sento de costas ao pé da cama.&lt;br/&gt;- silêncio, me deixa terminar este último cigarro. Digo lendo uma revista que posa na minha mão sem a minha atenção enquanto chovem cinzas na foto que perdia seu propósito e virava lentamente um cinzeiro.&lt;br/&gt;- tira a cara desta revista e larga este cigarro. Vem me comer...&lt;br/&gt;- fica quieta, me deixa aproveitar esse último. E assim foi o meu último cigarro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Após o sexo, Laura se rendeu ao clichê hollywoodiano de acender um cigarro. Eu, no entanto, não. Assisti aquela cena, a cara de boba, me olhando de baixo para cima, Laura se tornava só mais uma, facilmente esquecível na multidão de fumantes pós sexo. E nunca deixaria de ser só mais uma, enquanto continuasse se rendendo de tal forma a este enquadramento desta personagem. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Olhei, então, para o maço que havia consumido com tanto prazer e percebi que o meu clichê era outro. E se render na vida é sempre mais fácil.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o que houve? Perguntou Laura a me ver levantando e me arrastando em direção à cozinha.&lt;br/&gt;- preciso de uma cachaça.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Hoje parei de fumar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=c3343824-fc29-8881-bce6-5f9443cb4beb' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-6400304909131782469?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/6400304909131782469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=6400304909131782469&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/6400304909131782469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/6400304909131782469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/08/fumaca.html' title='Fumaça'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-5851689928547628294</id><published>2009-08-01T01:04:00.001-03:00</published><updated>2009-08-01T01:04:30.969-03:00</updated><title type='text'>Bruxaria</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Descobri a pouco que este relato pode ofender um grupo chamado Wicca. Então peço que não me encham o saco e parem de ler neste momento, pois não vão gostar do que lerão a seguir. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Algumas semanas após um breve julgamento por causa da morte do meu vizinho em que fui visto como um suspeito de homicídio (até acharem uma carta de suicídio), me mudei para o apartamento vizinho. Estava tendo dificuldades em arrumar meu escritório quando Laura entrou pela porta estilhaçando minha concentração me provocando um susto inexplicável. Estava mais animada que o normal. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Até agora não a via sorrir tanto, reprovava a mudança. Alguma coisa com karma, como se eu devesse me importar com a morte do coroa e o fato que eu sempre o tratei como um pedaço de merda no meu sapato. Mas vamos seguir:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não consegue arrumar sua mesa, disse Laura, você lembra de quem era esse escritório?&lt;br/&gt;- você não veio me falar do coroa de novo, né?&lt;br/&gt;- não, não. Abanou as mãos como se pedisse paz. Tenho uma amiga que esta vindo para o Rio e não tem onde ficar. Pensei...&lt;br/&gt;- não, a interrompi.&lt;br/&gt;- me escuta, Arnaldo. Já confirmei com ela. &lt;br/&gt;- então assume ela, não vou trocar uma palavra com ela. E próxima vez lembra que esse apartamento é meu. Você só esta aqui por que... sinceramente, não sei responder essa pergunta, Laura.&lt;br/&gt;- porque você me ama, lindo...&lt;br/&gt;- agora estou preocupado. Sei que acredita tanto em amor quanto eu.&lt;br/&gt;- Pamela vai ficar no quarto extra, de hospedes, se já o chamamos assim. Viajo no dia que ela chega.&lt;br/&gt;- você tem algum lançamento ou leitura?&lt;br/&gt;- lançamento em Recife do meu livro, você não lembra de nada, né?&lt;br/&gt;- não.&lt;br/&gt;- e outra coisa, ela é Wicca.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E pronto, não conversamos mais até Laura voltar de Recife. Também não achei nada estranho no mencionar de Pamela ser Wicca, na verdade ouvi que era “ruiva”. Laura não costuma falar nem o nome de suas amigas, eu devia ter achado no mínimo estranho.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pamela era uma ruiva (coincidência, ou manipulação de personagens?), alta, tinha as unhas pintadas de verde escuro. Reparei nas unhas, pois nos encontramos pegando o jornal. Ela parecia estar chegando de alguma escalada, estava toda suja carregando uma sacola de lixo cheia de galho e folhas. Dei-lhe bom dia, mas correu quieta para o seu quarto. Gritei por cima da minha ressaca, passei a noite com uma pequena garrafa de cachaça me fazendo companhia (verdade, nem vou falar que tentei escrever):&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ei, o grosso deste apartamento sou eu! Olhei para o chão e vi uma trilha de terra da porta até o quarto. E que merda é essa que deixou pela sala?!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Olhei o relógio da sala. Onze horas da manhã. Cedo demais. Voltei para o meu quarto e no caminho dei um soco na porta do quarto de Pamela, por um segundo esquecendo que não era Laura. Gritei agressivamente por café e me deitei.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando acordei já eram três da tarde. Saí do meu quarto e olhei para o chão. Estava limpo. Olhei para a mesa. Café. Já não entendia nada. Será que havia sonhado que uma louca estava ocupando um quarto no meu apartamento? &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- peço desculpas, Arnaldo. Fiz café. Pediu, né?&lt;br/&gt;- obrigado, mas preciso perguntar o que fazia com metade da vegetação de Copacabana aqui dentro. Assim que eu começava a suspeitar um ser humano normal sentando-se à mesa comigo, me surpreendeu: &lt;br/&gt;- Foi um pedido direto da Alta Sacerdotisa. Hoje a lua cheia está perfeita para o Esbbat, que será mais facilmente observado neste ponto pela Deusa Mãe, fonte da vida e nossa protetora.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ficamos em silêncio. Ao terminar a sua bela historinha ficou a me encarar como se eu tivesse que engolir esta merda a seco. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- mudei de ideia, não quero mais o café me passa aquela cachaça.&lt;br/&gt;- o que foi? Parece confuso.&lt;br/&gt;- não vem com bruxaria pra dentro do meu apartamento.&lt;br/&gt;- não é bruxaria. É Wicca.&lt;br/&gt;- ai meu Deus.&lt;br/&gt;- Deusa, me corrigiu, hoje seremos olhados pela Deusa Mãe. O Grande Deus Pai ainda esta por vir, com todo o seu amor. Achei que sabia mais, pelo que já li de sua autoria você me parecia bem inteligente.&lt;br/&gt;- quem sabe destas inutilidades é Paulo Coelho. Eu leio as pessoas. Eu leio você e no momento você é uma das pessoas mais loucas que já vi. E eu sou de Copa, vejo gente louca todos os dias... Nem quero entrar naquele quarto.&lt;br/&gt;- você trata todas as suas convidadas assim?&lt;br/&gt;- não, primeiro as trato com sexo. No caso, me imagine como “O Grande Deus Pai”.&lt;br/&gt;- vou me retirar amanhã pela manhã.&lt;br/&gt;- após o ritual, falei com deboche no tom de voz.&lt;br/&gt;- isso mesmo, se virou e falou ao bater a porta, e tem razão, você é o “grosso da casa”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Saí pela porta da frente e fui beber uma cachaça. Não me lembro daquela tarde. Só queria ver aquela louca pelas costas. Ou nem isso, não queria vê-la, ponto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E foi exatamente isso que aconteceu. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Dia seguinte acordei na sala sem camisa com algo gelado nas minhas costas. Levei um susto e me joguei no chão. Escutei o barulho de chave. Havia deixado as chaves do apartamento nas minhas costas e um bilhete. Deixou uma diária e uma recomendação como último adeus:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Querido “Grande Deus Pai”,&lt;br/&gt;Após a minha “bruxaria” (nas suas palavras) não recomendo que entre mais no seu quarto de hóspedes. Algo deu errado na noite de ontem. Muito errado. Por mais que você seja um tolo, idiota e grosso, vou te deixar um conselho: deixe este apartamento assim que possível. Pelo bem de Laura.&lt;br/&gt;Pamela “Yaba” Carvalho”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando Laura voltou, encontrou o apartamento vazio. Eu estava sentado de volta no meu bom e velho escritório, onde tudo fazia sentido. Tudo pequeno e cinza. Do jeito que eu gostava.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o que te fez desistir do apê, Arnaldo?&lt;br/&gt;- não consegui achar um lugar bom pra colocar minha mesa. &lt;br/&gt;- que bom, aquele lugar me dava os calafrios.&lt;br/&gt;- e outra coisa, Laura, próxima vez que trouxer uma bruxa pro apartamento, você esta fora.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=74974090-a448-8df7-bd3b-32fbaa3b20f0' alt='' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-5851689928547628294?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/5851689928547628294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=5851689928547628294&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5851689928547628294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5851689928547628294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/08/bruxaria.html' title='Bruxaria'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-1875851246498959197</id><published>2009-07-04T01:00:00.001-03:00</published><updated>2009-07-04T01:00:04.423-03:00</updated><title type='text'>O valor de um apê</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Já dentro do meu prédio pude ver algo muito estranho: A minha caixa de correio estava cheia. Peguei as cartas e subi para o meu apartamento. Meu vizinho me encontrou saindo cheio de cartas e resolveu me ajudar. Recusei a ajuda. Desde que sua mulher havia sido assassinada, o velho havia desenvolvido uma cleptomania incontrolável. Não pude evitar e quatro cartas caíram nos meus pés. O senhor, para minha infelicidade, se abaixou e me ajudou, falou algo de a minha geração não estar acostumada com cartas. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Entrei no apartamento chamando por Laura, mas não obtive resposta. Meu vizinho não saía do meu pé e eu realmente queria auxílio para vigiar os meus pertences. Perguntou sobre o meu caso com Laura e preferi não responder, e repleto de maldade perguntei sobre a sua mulher assassinada. Como estava a sua vida sem sua alma gêmea. Não acredito em “karma”, ele que se foda. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pude ver sua expressão mudar na hora. Resmungou algo, deixou as minhas cartas (todas, conferi) na minha mesa de trabalho e saiu sem se despedir. Fui até a cozinha pegar um vinho e trouxe logo a garrafa, sem taças. Tirei o telefone do gancho e me sentei, eu e uma pilha de cartas. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Cartas são valiosas. Acredito em cartas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando me sentei escutei a porta. Era Laura:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- esta escrevendo? Sentado na sua mesa... estranho. Aliás, falando em estranho, sabe aquele seu abridor de cartas prateado? O coroa aqui do lado me passou no corredor e ele tem um igualzinho. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- filha da puta! Idoso cleptomaníaco, porque Annie não matou logo os dois?!  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Olhei para a minha mesa, realmente havia me roubado. Normalmente eu não me importaria, mas queria ler minhas cartas. Sei que não precisava daquela faca específica pra abrir os simples envelopes, mas gosto de dar esporros. Faz parte de que eu sou.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- era o seu?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- porra Laura, você sabe que eu ganhei aquilo pelo número de exemplares vendidos do meu livro! Tive dificuldades de terminar essa frase sem rir. No dia que ligar para esse tipo de coisa me matem.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ai Arnaldo, você sabe como você me deixa quando fala assim comigo, disse de forma sensual, vamos pra cama, vamos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Virei de costas e pude sentir suas mãos arranhando meu peito enquanto me apertava por trás. A verdade é que não virava e me aproveitava daquela cadela no cio naquele instante por orgulho. Aquele velho havia me roubado e queria tirar satisfações. Soltei as garras de tigresa e afastei a minha orelha daquela língua ágil de serpente. Andei até o apartamento vizinho e bati na porta do velho. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Assim que bati em sua porta notei algo estranho, pois a porta não só não estava trancada como estava encostada e se abriu com o meu leve toque. Olhei o seu apartamento (não pude sentir inveja, era maior do que o meu). Chamei a Laura pra ver a minha o meu azar e confirmou que me fudi com o apê menor. Distraído com um belo quarto onde já sonhava com uma bela sala de trabalho ouvi um grito vindo do banheiro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ai meu Deus, ai meu Deus! Arnaldo chama a polícia! O velho se matou na banheira!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- e olha só, falei expressando curiosidade e acalmando-a, ele usou meu abridor de cartas pra cortar os pulsos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A minha calma pareceu incomodar Laura. Me retirei e liguei para a polícia. Expliquei tudo, mas a verdade é que não conseguia tirar uma dúvida da minha cabeça, por mais inadequado que fosse o momento para me perguntar isto: quanto será que ele pagava de aluguel? &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-1875851246498959197?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/1875851246498959197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=1875851246498959197&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/1875851246498959197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/1875851246498959197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/07/o-valor-de-um-ape.html' title='O valor de um apê'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-2399013270679530920</id><published>2009-06-05T16:16:00.001-03:00</published><updated>2009-06-05T18:20:26.067-03:00</updated><title type='text'>Necrofilia, uma comédia</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Atordoado, chego em casa, durmo e acordo. Laura levanta e me busca um copo de água. Diz que passei a noite vomitando. Antes de o copo de requeijão secar, levanto a cabeça e mais uma vez Laura some. Encosto o copo na mesa de cabeceira e ouço o seu estilhaçar. Nem olho, pois fecho os meus olhos de dor ao perceber que Laura havia deixado a luz do banheiro ligada.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Hoje pretendo escrever. Preciso escrever. Encho a minha taça favorita (a mais perto) de vinho tinto. Se considerasse a profissão que atuo de mínima nobreza, diria que o vinho é minha gasolina, mas o considero meu carvão. O carvão que suja os encarregados pelo movimento do trem e a destruição do planeta. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Encaro a minha profissão como caótica, irregular e destrutiva. Uma intervenção do que a de pior, tentando convencer os leitores a seguir esta vertente. Ensino a jovens leitores, necessitados de um acidente, como o Palavras Perdidas, meu best seller, o que não fazer. E meu vinho é pago com royalties da minha vergonha, contos vendidos para coletâneas esperançosas do retorno do antigo eu e poemas do “poeteiro” João Vianna. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;A minha arte morre aí.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tento resgatar, então, os momentos mais cômicos de uma vida monótona. Mudar o rumo do barco de forma violenta afogando os neo-intelectuais que tomaram conta da proa de meu navio. Bebo o vinho e vejo sangue. Inspiro-me. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Lembro de necrofilia. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Lembro dos ultra-românticos. A associação a esta perversão sexual a tantas mulheres que deitei-me, mulheres normais, e de máxima importância para um esclarecimento, vivas, que me fizeram sentir-se um adorador obsessivo de cadáveres. Deitadas lá recebendo apenas os pêsames do meu mais sincero sêmen. A vontade que tinha de ligar para os pais das mais jovens, algumas virgens, e avisar-lhes do passar de suas filhas com o meu membro latejando ao penetrar aqueles corpos imóveis, me arrastavam à comédia. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E ultimamente só consigo ser cômico desta forma. Sei sôo vil e nojento, mas quando penso nestas mulheres sinto pena. Pena, pois sei que sou solitário ao rir delas, vivas na sociedade e mortas entre lençóis. Sim acho graça, mas não, ainda não consegui escrever algo que desenvolva esta idéia. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ouço a porta. Olho o relógio empoeirado, assim como o resto de meu apartamento, a minha frente. Horas se passaram e não desenvolvi nada. Laura entrava pela porta e me chamava. Queria meu corpo. Fui de acordo com sua vontade, mas demandei que hoje não se mexesse. Queria uma dose de humor no meu dia. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-2399013270679530920?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/2399013270679530920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=2399013270679530920&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/2399013270679530920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/2399013270679530920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/06/necrofilia-uma-comedia.html' title='Necrofilia, uma comédia'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-3150514336649919091</id><published>2009-05-29T20:50:00.001-03:00</published><updated>2009-05-29T20:50:23.715-03:00</updated><title type='text'>Auto ajuda me ensinou a ser foda</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Após terminar seu livro comecei a reparar no que ainda segurava em meus dedos cansados. Um livro fino de título “Esperança” por Sofia Folhas. Sofia Folhas...? Que nome estranho, peculiar. Certamente artístico. Me fez parar pra pensar sobre “Arnaldo Pereira”. Voltei a olhar para aquele trabalho que começava a pesar em minhas mãos. O título em si já era um belo repelente de pensadores, e mel para as abelhas facilmente seduzidas pelos best sellers que as alimentam. É dever de um autor parar, como certamente fez a senhorita Folhas, e pensar que a grande massa julga todos, e arfo, todos, os livros pela capa. “Esperança”. Eu tive dificuldades de passar do título. Olhando aquele manuscrito, mais belo que o meu livro, não entendo, como o terminei. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“Uma jovem rapariga do sul do Brasil que vivia sendo molestada por velhos andarilhos da cidade, esperava achar o amor através do assédio. Felicidade reinava seu coração.”&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Seu livro começava assim. Agora entendo porque li. Cada página já havia sido marcada pela marca de suor do meu polegar, pois, demorava duas vezes o tempo necessário para ler suas belas palavras (e o sol já nascia com seus milhões de graus centígrados no calçadão onde sentava de pernas cruzadas). Queria captar todas as suas palavras. Eram poucas, sessenta e nove páginas, para ser exato, número que me identifiquei. Poucos diálogos, muita introspecção. Nunca pensei que alguém poderia ser bolinada por tantos e manter a esperança. Em sua conclusão, continua sendo bolinada por todos, mas aprende a se apaixonar pela situação. Há até, certa beleza no discurso conclusivo, e um erotismo deixado em segundo plano.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sofia Folhas deixou um recado em seu livro para que eu ligasse para ela. No entanto, como odeio aquela pequena algema de relacionamentos sociais, que chega a ser tão irritante que não só causa explosões na retina, como vibra, resolvi visitá-la pessoalmente. Lembrava onde ela morava e fui com as roupas que estavam no meu corpo, as roupas da noite anterior. Talvez, pelo estado destas, não reparasse eram as roupas que usava na noite que nos encontramos. Talvez, pelo meu odor, achasse que eu fosse outra pessoa, um peão de obra.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Falei com seu porteiro, e, como todo péssimo porteiro de Copacabana, abriu a porta em um instante. Nem precisei falar o apartamento. Como já falei, lembrava que morava acima de uma loja de tatuagem e acabei dividindo o elevador com dois sujeitos estranhíssimos. Olhavam-me como o estranho por não ter mutilado minha pele com símbolos de futuro arrependimento. Um deles ficou de costas deixando o outro perto demais da porta pantográfica. O jovem que acabou tendo seu rabo de cavalo preso na porta pantográfica (saiu ileso, uma pena, daria uma boa história) tinha no braço esquerdo uma tatuagem inacabada de uma faca entrando no peito de uma mulher e no direito escrito “MOTORHEAD”, tudo em caixa alta. O maior, um exemplar de um motoqueiro genérico, ria de seu amigo e seu problema capilar, enquanto eu reparava na sua calvície avançada, ironias fazem o meu dia. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando a porta se a abriu, o menor puxou seu cabelo e não pude deixar de pelo menos sorrir. “Deixa o mendigo rir, a vida dele já é uma merda.” Estas breves e simples palavras do calvo me livraram de um olho roxo ou algo pior. No momento, a última coisa que eu precisava, pois realmente parecia um mendigo. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando a porta se abriu no andar de Sofia, pensei estar no andar errado. Não me lembrava de muito, exceto dos detalhes necessários para não errar o apartamento. O corredor era bem marcante. Os ladrilhos que coloriam as paredes, que mesmo iluminados por luzes pareciam escuros, eram sujos e maltratados. Variavam nas cores “amarelo dente de fumante aos quarenta” e marrom “laranja passada”. Cada luz econômica parecia dar um curto quando eu passava próximo delas. Quando cheguei a dois passos da porta de Sofia a vizinha da frente abriu a porta e fechou violentamente. Vejo seu olho mágico escurecer como se estivesse me espiando do outro lado da porta. Enquanto eu olhava intrigado para o apartamento daquela senhora paranóica, ouço a porta a que mirava de antemão se abrir:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- você já não fez merda o suficiente? Era a irmã de Sofia.&lt;br/&gt;- queria conversar com a sua irmã.&lt;br/&gt;- pois é, não pode.&lt;br/&gt;- você está me proibindo, ri alto. Olha, não faz parte de a minha personalidade ser bonzinho e visitar pessoas para lhes dar elogios gratuitos. Sai do caminho, queridinha.&lt;br/&gt;- digo “não pode”, pois não está aqui. Voltou para o sul conseguiu alguém para publicar seu livro lá, o que acho bom, não ia conseguir nada com você.&lt;br/&gt;- não entendi. Menti, a pobre jovem achou que eu era maior do que realmente sou e me usou...&lt;br/&gt;- ela só queria se aproveitar de você, mas não fica triste, ela volta daqui a uma semana e, Deus sabe por que, queria te ver...&lt;br/&gt;- esse é um bom momento para eu mandar você se fuder, correto?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Virou-se, assim como eu. Momentos assim acontecem na vida. Parecem novelas, diálogos fracos, inconsistentes e reais. Bateu a porta, os vizinhos colocaram suas cabeças curiosas para fora. Ouvi cochichos e a velha paranóica balançou a cabeça de forma negativa olhando para mim através de sua porta entreaberta. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;  &lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Cheguei ao meu apartamento e vi a minha porta aberta. No entanto, não tive forças para me preocupar. A maçaneta estava intacta assim como a fechadura, não quis pensar no que houve.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- seu louco! Laura pulou de dentro do apartamento me abraçando. Voltei ontem a noite e você não apareceu.&lt;br/&gt;- oi, estava ocupado.&lt;br/&gt;- estava bêbado, isto sim.&lt;br/&gt;- sim isto também. Toma Laura, leia isso e me deixa dormir. &lt;br/&gt;- “Esperança”, não vou ler esse lixo de auto ajuda.&lt;br/&gt;- entendo. &lt;br/&gt;- você leu?&lt;br/&gt;- a autora me ensinou algo importante. &lt;br/&gt;- o que?&lt;br/&gt;- cala a boca e me deixa dormir.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-3150514336649919091?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/3150514336649919091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=3150514336649919091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/3150514336649919091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/3150514336649919091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/05/auto-ajuda-me-ensinou-ser-foda.html' title='Auto ajuda me ensinou a ser foda'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-2057509357848637624</id><published>2009-05-13T03:29:00.001-03:00</published><updated>2009-05-13T03:29:42.033-03:00</updated><title type='text'>Esperança, ainda há</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Laura saiu. Desde que saiu estou a beber. Costumava contar os dias com a quantidade de vezes que acordava, mas já apaguei e acordei tantas vezes que não sei mais se Laura se foi a uma semana ou a um mês. A bebida não me faz mais o mesmo efeito. Por um lado isto é bom. Estou escrevendo mais, isso pode ser bom. Estou vivendo menos, mas nunca gostei de viver mesmo. Penso nisso e me levanto. Resolvo tomar um banho, me sinto amassado e com bafo de vômito (não me lembro de vomitar, no entanto).&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Após o banho, resolvi descer. Enjoado e com fome, sem noção de tempo e de ressaca. O sol já tinha apagado. Poderia ser oito da noite ou onze, em Copacabana pode-se tirar esta dúvida contando velhos e putas. Não via muitos velhos, certamente já havia passado das nove. Resolvi sentar em um bar na beira da praia. Os bares estavam cheios, gente horrorosa.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- mesa para um, senhor?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Concordei. Quem me sentou foi um garçom com o cabelo repartido no meio com um bigodinho. Tinha todo o jeito de ser viado. Esqueci o nome do sujeito, pois minha cabeça não estava boa, mas gostei do sujeito. Os gays tem algo que gosto, ao contrário de nós héteros, são verdadeiros. E o mundo literalmente lhes fode por trás. Em menos de quinze segundos sentado, um jovem de chinelo, bermuda florida e boné, se aproxima da minha mesa. Vê que estou só e pega uma das minhas cadeiras. Não ligo.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- ‘mor, você pegou a cadeira do moço sem pedir. E se ele precisar?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- precisar para que, esticar as pernas?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Os dois riram. Com razão. Estava bebendo só, provavelmente estava com uma cara horrível e estava curando ressaca com cerveja, bebida que tanto odeio. Pedi para o garçom segurar minha mesa, pois queria ir até o orelhão perto do bar, mas falou que como não havia pedido nada, nem a cerveja, não poderia segurar naquela noite tão movimentada. Quando levantei um casal rapidamente pegou o meu lugar (e uma cadeira a mais).&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Liguei a cobrar para o celular de Laura, que aparentemente não recebe tais ligações. Fiquei frustrado e fui achar outro lugar para beber. Como tinha pouco dinheiro não pude beber em qualquer lugar, então fui para o boteco do Judeu, lá posso levar uma garrafa de cachaça fiado. E foi o que fiz. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Temi voltar para o meu apartamento, pois me subiu um forte sentimento de claustrofobia dentro daquele formigueiro de gente e selva de prédios. Fomos, eu e minha garrafa, para o calçadão de Copa. Me sentei. Uma mulher sentou do meu lado.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- moço, como faço para chegar em Ipanema?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Dei uma risada. Quando expliquei riu comigo. Tinha um riso contagiante. Tinha também, um sotaque do Sul. Perguntei o que faria em Ipanema que não podia abandonar para fazer companhia para um escritor boêmio e sua cachaça. Riu, e respondeu que só queria direções mesmo, mas, para a minha surpresa, sentou-se. Disse que cursava Letras e estava escrevendo um livro chamado “Esperança”. Ri. Não entendeu o por quê, falei que já tinha abandonado esta palavra.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- então tem que ler o meu livro! Disse de maneira jovial.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- gostaria. Menti.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- então vamos lá na casa da minha irmã que tenho uma cópia.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Achei bonitinho como chamou um apartamento na Nossa Senhora, em cima de uma loja de tatuagem, de casa. Achei engraçada a sua inocência em convidar um homem para o seu apartamento sem medo de ser abusada. Resolvi que só iria avisá-la de como são as coisas no Rio de Janeiro depois de me aproveitar da situação.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Chegando lá, sua irmã nos recebeu e a chamou em um canto. Avisou do possível “lobo mau” que trazia para casa. Pedi licença para elogiar a “casa” e fui educado. Sentei com a  bela moça que só percebi não ter perguntado seu nome quando li o título de seu livro:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- seu nome é Sofia? Adoro este nome. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Falei, colocando minha mão em sua perna. Não pareceu ligar. Subi minha mão. Usava saia, fazia calor, o que facilitou o meu acesso a sua calcinha, já úmida. Cheguei sua calcinha para o lado e comecei a penetrá-la.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- minha irmã falou que no Rio os homens são todos tarados... gemeu.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- e você achou o pior deles, falei, abusando do clichê.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- vai ler meu livro? Perguntou sem ar.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- deixa na sua cabeceira ao lado da cama. Me mostra onde fica que eu leio.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- vamos lá pra eu te mostrar.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;E fomos para o seu quarto. E fodemos. E acordei hoje de manhã ao seu lado. Lembrei do livro e peguei enquanto ia saindo sem acordar a jovem. Mas foi em vão.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- anotei meu telefone na contra capa. Me liga se gostar. Bom dia.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;E voltou a dormir. Me retirei passando por sua irmã que sussurrou algo de baixo nível sorrindo falso. Eu a chamei de “mau comida” em voz alta e me retirei. Fazia tempo que não ofendia alguém, aproveitei a viagem. Andei para o calçadão. Lá abri o livro de Sofia e fiquei impressionado.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Acho que vou ter que ligar para esta...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=e3383a6a-20fc-8125-8f57-b6401a3dbfbc' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-2057509357848637624?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/2057509357848637624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=2057509357848637624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/2057509357848637624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/2057509357848637624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/05/esperanca-ainda-ha.html' title='Esperança, ainda há'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-4367254467204010382</id><published>2009-05-10T03:21:00.001-03:00</published><updated>2009-05-10T03:21:14.140-03:00</updated><title type='text'>Uma foda em fragmentos</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Percebi algo hoje. Não entendo as mulheres, mas Laura é um caso a parte. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Me sentei ao seu lado. Era linda. Sua presença me distraía enquanto terminava minha leitura. Sua saia me desconcentrava. Leve, fina e curta, estilo “que pai deixaria sua filha sair de casa vestida assim?”. Segurava em uma mão uma taça de vinho tinto, na outra um cigarro apagado. Sua perna cruzada se mexia de forma incessante, talvez se mexesse mais na minha cabeça. Olhava de forma delicada para baixo, não parecia prestar atenção no que eu lia. Talvez isso me atraísse. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- você... não prestava atenção, estou correto?&lt;br/&gt;- me segue até o bar e nem me paga uma bebida, Arnaldo Pereira?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Seus seios eram belos. Pequenos, mas sedutores. Seu decote revelava bastante, não o suficiente. Usava uma jaqueta de manga longa, clara. A cor era semelhante ao castanho claro de seus cabelos. Esses que não passavam de seus ombros e caíam sobre seu olho esquerdo cobrindo sua face lisa. Toda vez que abaixava seu rosto parecia se retirar da sala e só voltava quando passava suas pequenas mãos na franja para revelar a sua beleza de atriz dos anos vinte.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não ofereci nada, pois vejo que já esta de mãos ocupadas.&lt;br/&gt;- não esta me reconhecendo, Arnaldo Pereira? &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não prestava atenção em suas palavras. Seus lábios haviam me ensurdecido. Não a reconhecia por que não a via como um conjunto, uma pessoa, e sim fragmentos. Agora estava hipnotizado por seus lábios com o mínimo de batom, mas o necessário para que os destacassem. Não pude resistir, os meus hormônios jogaram qualquer chance de conhecer a sua pessoa, muito menos reconhecê-la. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- que acha de ver se eu te reconheço no meu apartamento?&lt;br/&gt;- você já foi melhor nesta sua artezinha de sedução, Arnaldo Pereira. Sorte sua eu estar morrendo de tesão e lembrar que você não é de todo mau na cama. Vamos...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Descemos as ruas iluminadas por luzes (nem sempre iluminadas) e sorrisos de garotas de programa (nem sempre garotas) de Copacabana em direção ao meu decadente apartamento. Ela parecia conhecer o caminho para o meu apartamento tão quanto eu, o que não me incomodava nem me preocupava. Entre ter que levar alguém para a sua cama e ser levado para a sua cama, prefiro o segundo. Paramos no elevador e ela apertou o apartamento que moro sem pensar. Quando abri a porta me deparei com Laura. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não ouve um momento de constrangimento, Laura foi Laura e me puxou para dentro do apartamento e bateu a porta no rosto da mulher e disse:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- de agora em diante você só fode comigo, ouviu Arnaldo Pereira?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foi aí que percebi que Laura havia vindo morar comigo...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;- e aí foi bom o suficiente para que só me queira?&lt;br/&gt;- você é louca, Laura, como quer ser mulher de um homem só?&lt;br/&gt;- não me respondeu.&lt;br/&gt;- não vou responder.&lt;br/&gt;- só vou ficar enquanto precisa se medicar.&lt;br/&gt;- sei.&lt;br/&gt;- na noite passada voltou com aquela louca que te seguia nas suas leituras, demorou meses para se livrar dela e me aparece com ela sem saber quem era. Você precisa de babá.&lt;br/&gt;- vai se foder.&lt;br/&gt;- quer que eu me vá?&lt;br/&gt;- fica.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;       &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=bd37a4ef-b49b-80ff-b3c0-fdd9473c090b' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-4367254467204010382?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/4367254467204010382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=4367254467204010382&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/4367254467204010382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/4367254467204010382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/05/uma-foda-em-fragmentos.html' title='Uma foda em fragmentos'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-7701666080122531116</id><published>2009-05-05T02:41:00.001-03:00</published><updated>2009-05-05T02:49:13.903-03:00</updated><title type='text'>O melhor efeito colateral</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Minha vida é detalhe. Estou vivo, é isso que importa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;- você me deve uma, parceiro. Disse Jorge, meu editor, mirando no mais fácil e fraco humor negro.&lt;br/&gt;- é, tem razão, falei irônico.&lt;br/&gt;- sou a seriedade em pessoa. Estou precisando que me entregue pelo menos o manuscrito.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O manuscrito... &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não ligo para a minha saúde, mas fiquei meio ofendido com tal falta de consideração. Relaxei quando ouvi a porta se abrir violentamente. Fora de personagem, Laura entrou e correu na minha direção. Me abraçou com lágrimas nos olhos e disse:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o que você teve?&lt;br/&gt;- nada.&lt;br/&gt;- não tenta ser imortal agora, Arnaldo, me fala.&lt;br/&gt;- o médico acusou uma possível cirrose. Pediu para eu parar de beber.&lt;br/&gt;- ai que bom.&lt;br/&gt;- sugiro abrirmos aquele vinho e celebrar o fato de não ser um câncer ou algo do gênero.&lt;br/&gt;- tem razão.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Jorge até tentou argumentar a favor da minha saúde, mas se rendeu ao delicioso vinho do “posto”. Brindamos e bebemos. Bebemos e bebemos. Primeiro não me senti bem. Depois não senti nada. Até que me senti bem. Melhor do que me sentia fazia tempo. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Me senti a vontade para parar e pensar. Pensar na beleza da vida. Naquela que falta e é assim compensada na beleza das mulheres. Mulheres como a minha antiga agente literária: Eva. Sua beleza quase definia a palavra.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pensei em ligar para a Eva, não lembrava da razão do nosso rompimento. A última imagem que tenho dela é do seu debruçar nu sobre a pia de algum motel de beira de estrada encarando o espelho. Lembro de me aproximar de Eva e gentilmente colocar minha mão no seu ombro direito, sentindo um leve levantar do seu ombro. Suas palavras sintetizavam algo desta forma:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o que quer, meu “talentoso best seller”?&lt;br/&gt;- quero ser sua cobra, fiz uma referência brega ao grande livro.&lt;br/&gt;- no dia que o seu livro for comparado à Bíblia, podemos conversar, disse fraca.&lt;br/&gt;- desista, leve a maçã a sua boca, sussurrei com malícia, só não morda.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Neste momento, lembro do corpo nu de Eva se ajoelhando na minha frente e me satisfazendo. Após um tempo favorável ao meu prazer, levamos o ato para a cama. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não lembro de muito a partir deste ponto, mas fiz questão de contar minha história. Laura riu de forma diferente. Jorge olhou para baixo e se deslocou para a cozinha. Rapidamente voltou. Laura e Jorge trocaram olhares que se confundiam ao meu olhar como preocupação, seriedade e pena. Jorge olhou para Laura como se disputasse quem não me contaria algo que não saberia. Meu editor derrotou minha amante na guerra de olhares e voltou para cozinha. Laura se virou para mim e disse: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o médico disse que isso poderia acontecer. Arnaldo, Eva nunca existiu, aliás, esta é a exata história de como seduziu a mulher de Jorge. Tomando esse remédio (remédio dado para os meus recorrentes desmaios), é possível que confunda histórias ou crie histórias que nunca existiram e realmente acredite nelas... Eu sei que é desagradável... se precisar de alguém...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Abaixei o rosto de frente para Laura. Levantei o rosto com um sorriso que a surpreendeu:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- e isso piora com a bebida?&lt;br/&gt;- sim.&lt;br/&gt;- que bom, Jorge entrou na sala ao ouvir minhas palavras com uma expressão de quem havia visto um cadáver, achei uma cura para o meu bloqueio. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E me retirei. E esperei. E escrevi. E escrevi.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=fa1186de-46ed-8e12-909a-4577535acc31' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-7701666080122531116?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/7701666080122531116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=7701666080122531116&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/7701666080122531116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/7701666080122531116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/05/o-melhor-efeito-colateral.html' title='O melhor efeito colateral'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-5853355196917951845</id><published>2009-04-23T04:24:00.001-03:00</published><updated>2009-04-23T16:43:56.470-03:00</updated><title type='text'>Eu sou o cadáver de Arnaldo Pereira.</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Hoje vomitei sete vezes. São dez da manhã. Perdi a vontade de sair de casa após encarar a privada a manhã toda. Ouço uma voz como um soco direto no meu cérebro. Não consigo identificar o que foi dito. Certamente um chamado que não responderia, logo, pouco me importo. Sinto no chão, ajoelhado sobre o meu mais nobre alvo do regurgitar, passos se aproximando. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- olha o grande Arnaldo Pereira! Não consegue segurar a bebida mais que uma pré-adolescente? Deprimente, me vou.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- pode ir, Laura... volta ainda hoje, né vadia? &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- a disposição, não resisto quando se faz de homenzinho...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Homenzinho... ela tem razão, não sou metade do homem que gostaria de ser. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Me levantei. Vomitei mais uma vez. Consegui chegar no meu escritório. Abri uma cerveja quente que descansava, sem apoio, na minha mesa de trabalho. O que aquela cerveja fazia na minha mesa? Deve ser coisa da Laura, não bebo cerveja, acho perda de tempo. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Meu editor me ligou sete vezes. O telefone está tocando. Não vou atender, está longe. A tela do computador me provoca uma imensa fotofobia. Preciso escrever. Tomo um gole da cerveja quente e tenho vontade de escrever sobre dor e sofrimento, mas virei o autor do inesperado. Meus leitores aguardam surpresas nos meus textos. Meus textos são autobiográficos e a maior surpresa que tive nos últimos dias foi Laura ter me dado a permissão de foder o seu cu (e não menosprezo esta)...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Então fico sentado encarando um monitor que já queimou além dos meus olhos e derrete meu cérebro. A cerveja continua me servindo de café da manhã. Sinto cada gole cortando minha garganta. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Tomei o último gole da minha maldição enlatada quando uma agulha em forma de toque de celular penetrou o meu ouvido. Era o celular de Laura e me irritava ao cubo. E não parava de tocar. Desisti e levantei para atender. Vomitei mais uma vez. Atendi o celular e fui surpreendido:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- alô, gemi impaciente.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- se não é o meu autor predileto! Percebi que esqueci meu celular aí, mas quero que fale com alguém que encontrei.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- (era o merda do meu editor) não adianta me evitar, estou aguardando a próxima obra do grande Arnaldo Pereira. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- pode deixar, pode deixar. Agora, não me liga mais hoje, por favor.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- última coisa...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- não, amanhã.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Desliguei. Sei que vou estar nesta mesma condição amanhã, ou pior, mas por que não adiar o que não conseguirei fazer hoje sem vomitar. Aliás, vomitei mais uma vez e agora começo a ver tudo preto. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Estendi meu braço e apertei a tecla para rediscar no meu telefone. Meu editor atendeu:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- achei que falaria só amanhã, senhor temperamental?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- vem, achei que não gostaria de ver o que tenho pra você. Muito mórbido, quase cadavérico.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Senti meu peito se chocar contra o chão. Meus braços estavam moles e inválidos. Minha cabeça aterrissou ao lado de uma das minhas diversas poças de vômito. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Inconsciente.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Estou no chão e sinto somente dor. Dor e nada. Meu último pensamento: aquela merda daquela cerveja. Apodrecida e usada até o seu fim. Assim como eu. Eu sou a bebida que mais detesto. Eu sou o cadáver de Arnaldo Pereira.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Arnaldo Pereira&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=e39937fb-b51b-8a6a-bb5c-a3e1b7acdd81' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-5853355196917951845?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/5853355196917951845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=5853355196917951845&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5853355196917951845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5853355196917951845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/04/eu-sou-o-cadaver-de-arnaldo-pereira.html' title='Eu sou o cadáver de Arnaldo Pereira.'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-714677654024630691</id><published>2009-04-12T23:54:00.001-03:00</published><updated>2009-04-12T23:54:24.685-03:00</updated><title type='text'>Síndrome de Desgaste Social</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;- vinho tinto, Arnaldo? Depressão?&lt;br/&gt;- síndrome de desgaste social...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Andando de cara baixa pela Nossa Senhora de Copacabana, segurando uma sacola com quatro garrafas baratas de vinho tinto na mão direita e um saco de livros de minha autoria que levaria para o meu editor na mão esquerda, esbarrei em uma sombra do passado. Talvez uma das maiores assombrações que, graças a Deus, havia conseguido esquecer. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Narciso havia sido meu analista meados dos anos noventa. Nesta época ainda acreditava que havia uma solução para o que sofro. Larguei a analise quando o meu empregado (pois assim o considerava, porque o pagava pela hora, que em seu universo paralelo de “psico-loucos” acreditava ser quarenta minutos) ousou ser esperto. Acredito que também era envolvido com bruxaria, pois no dia em que o demiti me deixou com tal última frase:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Para você, inventei até um termo: “síndrome de desgaste social”. Nunca conseguirá manter uma vida sem se condenar ao desajuste social, sempre se considerará acima de todos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;- Não entendo você, Arnaldo, a última vez que nos encontramos me “demitiu”, agora quer sentar e dividir um vinho.&lt;br/&gt;- Romântico, não?&lt;br/&gt;- Sempre com os seus escudos, deu risadas e sentou-se no banco da praça mais próxima. Peguei dois copos de plástico com uma mãe que parecia preparar algo que resultaria em uma festa de criança, e pelo sorriso, provavelmente de seu filho. Não me interesso pelas pessoas, mas pude ver que se interessou por mim (talvez por pena). Virei antes de agradecer e antes que pudesse começar uma conversa comigo. Já teria que aguentar um chato, mesmo que fosse por algum masoquismo emocional, que talvez me fosse explicar esta necessidade, sem a minha autorização.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ...preciso de alguém para me direcionar para casa depois de beber além dos meus limites.&lt;br/&gt;- e por que faz isso?&lt;br/&gt;- vai tomar no cu, sem esta merda de análise para cima de mim.&lt;br/&gt;- hahaha, esqueci com quem lidava. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Neste momento percebi que, pela terceira vez, Narciso tirava do bolso um comprimido branco e o engolia tremendo. Mostrava uma estranha cara de alívio, um brilho de felicidade. Não perderia a oportunidade de “analisar” isso:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- viciado, sim? Afirmei perguntando.&lt;br/&gt;- perceptivo... mas não, só preciso dar uma relaxadinha. E esse vinho tinto, alcoólatra?&lt;br/&gt;- boa, Narciso, mas hoje eu te analiso. Você é um merda no seu trabalho e agora está viciado no que receita. Na verdade, ver sua imagem decadente já é ótimo.&lt;br/&gt;- vamos beber.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E a conversa continuou por duas horas. Quando já conversava com dois Narcisos, me perguntou:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ainda tentando controlar as mulheres.&lt;br/&gt;- elas são para outra coisa? Mulheres só servem para me satisfazer. Digo mais, o mundo está aí para me satisfazer, levantei e interrompi a festa de crianças. Você, mãe enxuta que me emprestou copos, você me satisfaria? Certamente! Gritei afirmando. Narciso abaixava a cabeça e vomitava. Éramos um retrato da decadência. Acho que gritei que todas eram “Amélias”, segundos antes de vomitar o vinho que parecia sangue. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- você é, até hoje, minha maior derrota... disse um exato segundo antes vomitar em meus livros.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Apaguei.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Acordei, imundo, e senti um corpo feminino ao meu lado. Estava em uma casa estranha, mas via meus livros em uma condição infeliz. Quando levantei, reparei que a “Amélia” que me emprestou os copos na praça estava acordando ao meu lado somente para me informar:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- seu amigo disse para te dar esses livros. Por que só usa capas manchadas de vermelho?&lt;br/&gt;- onde é a porta? Perguntei, já me retirando.&lt;br/&gt;- ali...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não me despedi. Tal burrice desgasta o meu lado social.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=801f0451-9344-8aad-92be-9df712b42832' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-714677654024630691?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/714677654024630691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=714677654024630691&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/714677654024630691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/714677654024630691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/04/sindrome-de-desgaste-social.html' title='Síndrome de Desgaste Social'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-4510544082731938075</id><published>2009-03-31T19:55:00.001-03:00</published><updated>2009-03-31T20:11:51.530-03:00</updated><title type='text'>"A Carta de Jackie" capítulo especial por Paula Gicovate</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='trebuchet'&gt;&lt;br/&gt;&lt;i&gt;Caro Arnaldo,&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Durante todo esse tempo eu não quis falar e tentei me manter quieta,&lt;br/&gt;no mesmo silêncio sepulcral que você me forçou, para ver se você&lt;br/&gt;acordava. Mas acontece que quem acordou fui eu.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Te escrevo essas linhas engolindo o meu orgulho porque, ao invés, de&lt;br/&gt;tentar fazer a mulher decidida que você sabe que eu sempre fui, hoje&lt;br/&gt;faço questão de que você, seu verme inútil e insensível, saiba&lt;br/&gt;exatamente o que me fez passar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Você me fez perder tempo Arnaldo. Um tempo precioso a que eu poderia&lt;br/&gt;ter dedicado a milhares de outros caras a quem eu poderia ter amado de&lt;br/&gt;corpo e alma da mesma forma com que eu te amei. E você não fez nada.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Durante todo esse tempo eu quis que você se abrisse, para que os outros&lt;br/&gt;tivessem idéia do cara incrível que você é, mas por ser tão frio e&lt;br/&gt;idiota, nunca teve coragem de mostrar pra ninguém, seu puto,&lt;br/&gt;quem engolia amor próprio e insegurança no café da manhã, quando você&lt;br/&gt;mal olhava para mim.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fui eu que fui dormir tantas vezes sem ser comida mesmo estando com a&lt;br/&gt;lingerie mais sexy esfregando meu corpo e minha falta de amor próprio&lt;br/&gt;na sua perna e você incapaz de me olhar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Porque você não é capaz de olhar para ninguém. Você não é capaz de&lt;br/&gt;amar nada que não seja você, e eu, tão idiota, por um momento&lt;br/&gt;acreditei que fosse possível e te dediquei anos inteiros ganhando nada&lt;br/&gt;além de raspas e restos do que te sobrava no fim do dia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quantas vezes você ficou doente e eu fui pra sua casa te amando como&lt;br/&gt;um mendigo e você só fez me tratar mal? Quantas vezes eu pulei em cima&lt;br/&gt;de você te amando e te beijando como se no dia seguinte eu fosse&lt;br/&gt;embora do país e você não fez nada, além de me chamar de carente? Quantas&lt;br/&gt;vezes eu implorei um pouco mais de carinho, um pouco mais de afeto, um&lt;br/&gt;pouco mais de atenção e tudo o que você fazia era qualquer outro tipo&lt;br/&gt;de atividade inútil, me trocar por qualquer outra merda, enquanto eu&lt;br/&gt;lidava mais uma vez com a sua indiferença?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Então porque você continuava lá? Não era cruel o bastante ver que eu&lt;br/&gt;te amava como um bezerro? Porque você me manteve todo esse tempo? Como&lt;br/&gt;um troféu para os seus amigos? Para provar para você mesmo que você&lt;br/&gt;era capaz se de relacionar com alguém? Porque não, Arnaldo, você não é. E&lt;br/&gt;o seu fim vai ser com essas suas amigas que são apaixonadas por você&lt;br/&gt;sem saberem quem você é de verdade ou com uma dessas piranhas que você&lt;br/&gt;acolhe por terem uma desgraça maior do que a sua, porque assim você se&lt;br/&gt;sente superior, o que você nunca se sentiu a mim, e aí você fecha seus&lt;br/&gt;olhos de garoto mimado para o fato de elas fazerem programas e darem&lt;br/&gt;para outros caras pelo simples fato de que elas vão sumir, e te deixar&lt;br/&gt;em paz com seus escritos, sua birita, sua vidinha podre. Porque elas,&lt;br/&gt;também não vão te cobrar. Ao contrário de mim.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pois hoje eu quero te dizer que não admito mais ser amada pela metade.&lt;br/&gt;Eu quero ser amada, quero ser bem comida, quero um cara que conheça&lt;br/&gt;minha família, meus amigos, que me dê carinho, que se permita me&lt;br/&gt;abraçar a noite, que me deixe entrar na vida dele.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E você Arnaldo, eu tenho PENA de você. Porque, por mais que me doa,&lt;br/&gt;agora, eu sei que comigo passa, agora... com você não.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Seu fim vai ser o mesmo de um solteiro doentio e tarado por menininhas&lt;br/&gt;estúpidas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Enquanto isso, eu decidi ser feliz...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foda-se então, seu puto. E até nunca mais.&lt;/i&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='trebuchet'&gt;-----&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='trebuchet'&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este post foi escrito pela autora, e minha grande amiga, Paula Gicovate&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mais sobre a autora: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;leiam seu Blog&lt;br/&gt;Mulherzinha:&lt;br/&gt;&lt;a href='http://umbigodepaula.blogspot.com/'&gt;http://umbigodepaula.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;e recomendo seu livro:&lt;br/&gt;Sobre (o) tudo que transborda &lt;br/&gt;&lt;a href='http://www.editoramultifoco.com.br/catalogo2.asp?lv=101%20'&gt;http://www.editoramultifoco.com.br/catalogo2.asp?lv=101 &lt;/a&gt; &lt;a href='http://www.editoramultifoco.com.br/catalogo2.asp?lv=101%20'&gt;(compre AGORA)&lt;/a&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=5ef06fb2-9a49-8eae-91ea-eea2dcc8ecc2' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-4510544082731938075?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/4510544082731938075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=4510544082731938075&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/4510544082731938075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/4510544082731938075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/03/carta-de-jackie-capitulo-especial-por.html' title='&amp;quot;A Carta de Jackie&amp;quot; capítulo especial por Paula Gicovate'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-4939087153629459850</id><published>2009-03-19T14:54:00.001-03:00</published><updated>2009-03-19T16:25:03.067-03:00</updated><title type='text'>Inexpressivo</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Do lado mais inesperado, vieram as melhores coisas. Senti um bater, de leve, na madeira já acabada, que poucos chamavam de “minha porta”. Digo isso, pois, somente neste mês, a maldita travou sete vezes me deixando trancado, bêbado, do lado de fora. Bêbado e acompanhado, cinco das vezes, o que não pega bem. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Após a minha última traquinagem (uma de minhas palavras favoritas desta língua que tanto me assombra), Jackie havia me deixado. Acredito que me pegar bêbado com o traseiro virado para a lua com uma suposta fã do lixo que publico, foi a gota necessária para transbordar a piscina. Mas não foi nenhuma cena ou dramalhão que me preocupasse muito. Somente quebrou um copo no ombro da menina (ainda tenho mais dois no enxoval). A jovem, que não faço questão de lembrar o nome, chorou e se retirou.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estava sozinho no cinza que é o meu escritório entre as paredes brancas e inexpressivas. Olho para a mesa e não consigo escrever sequer uma palavra. Horas se passam como segundos e começo a escrever clichês como “um belo dia” e “em uma tarde chuvosa” para tentar dar ignição no meu ganha pão. Nada.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E o meu texto começa ficar como eu, inexpressivo. Posso até escrever sobre a jovem que usava saia transparente no lançamento do livro da minha amiga de escola, mas estou cansado de putaria. Posso escrever sobre a minha auto análise da minha agora fobia do bairro de Copacabana, mas nem eu tenho mais paciência para a minha choradeira monótona. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Resolvi descer para comprar um vinho, um barato, algo me dava vontade de me entorpecer, mas não de cachaça. Queria passar pela experiência de escritor boêmio, sofredor, e tal. Não queria apagar e acordar quatorze horas depois sem ter aproveitado o “ante-vômito”. Passei na portaria e tive a infelicidade de conhecer o porteiro novo.         &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- `dia, doutor Pereira, a moça deixou uma carta.&lt;br/&gt;- obrigado&lt;br/&gt;- logo depois passou outra mulher. `tem que perguntar pro senhor... qual o teu segredo?&lt;br/&gt;- álcool. Muito. &lt;br/&gt;- não, sem piada, aquela segunda era uma meninota. E você... sem querer ofender, mas o senhor não é nenhum Tony Ramos...&lt;br/&gt;- (após um silencio, em que demonstrei cansaço, resolvi falar) ainda quer uma sugestão?&lt;br/&gt;- mesmo.&lt;br/&gt;- cala a boca na presença de estranhos (levantei a voz por um breve segundo).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Entendeu o recado e calou-se. Me virei na esperança de não sofrer mais nenhuma interrupção. Cheguei ao posto, comprei o vinho e me virei. Abri a garrafa, e voltei para o prédio me abastecendo de vinho como um carro consome gasolina. Na portaria, minha jornada foi mais uma vez interrompida por aquele elo que já havia se tornado uma pedra no meu sapato. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o doutor, mais uma coisa.&lt;br/&gt;- (me controlei, agradeço ao vinho) estou com um pouco de pressa... abre a porta.&lt;br/&gt;- li a carta da moça enfezada que te abandonou. Você é um merda completo. Vive do passado, mais que literalmente. Só come putinhas que deviam cobrar, assim ganhariam  algo mais que somente uma noite “mau comida”...&lt;br/&gt;- (interrompi) abriu minha correspondência? Perguntei calmamente. Posso te dar outra dica? &lt;br/&gt;- ...porque eu ia querer qualquer dica de você, seu merda?&lt;br/&gt;- (derrubei minha garrafa vazia) abre esse jornal, e começa a procurar outro emprego.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Abriu a porta, como era pago para fazer. Subindo as escadas, abri a carta de Jackie. Terminando pensei, “vai pro inferno e não volta mais, vadia”. Amassei a carta e entrei no meu apartamento.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=53466bfb-b942-4550-8999-609137e5417c' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-4939087153629459850?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/4939087153629459850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=4939087153629459850&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/4939087153629459850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/4939087153629459850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/03/inexpressivo_19.html' title='Inexpressivo'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-274156538819816962</id><published>2009-03-08T05:32:00.001-03:00</published><updated>2009-03-08T05:32:09.619-03:00</updated><title type='text'>Sexo Forte cont. de O "poeteiro" adestrado</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;- ...o amor é quase sempre torto, se olhar para o lado verá palavras, ouvirá silêncio.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Aplausos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Olhava para a cadeira vazia. Não achava Karol, cheguei à conclusão que aquele era o seu assento. Esperava que não, pois minha cadela sem coleira, Jackie, preenchia o assento ao lado. E estava mais para uma gambá bêbada do que qualquer coisa. Mais bêbada que eu, provavelmente, pois me lembro de tudo. Temia a presença de Karol e Jackie ao lado uma da outra, cachaça enlouquece mulheres, pode ser uma boa, mas não seria o caso.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ao descer do palco ouvia elogios e pediam autógrafos. Tentava me distrair com cada rabo de saia das jovens colegiais que pareciam uniformizadas para foder. Todas menores de idade, mas adoraria passar meu membro na maioria daquelas ninfetas. No entanto, ainda meu preocupava com Karol e Jackie. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Uma das jovens se aproximou de mim:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- nem sei o que dizer... Só queria chegar perto do senhor e sentir o seu cheiro. Eu e minhas amigas percebemos que estava bêbado. Queria sentir este seu cheiro de cachaça... Sabia que o senhor é muito sensual?&lt;br/&gt;- agradeço, mesmo... falei tropeçando nas silabas. Queria muito juntar você e suas amiguinhas e matar todas as suas curiosidades, no entanto já tenho duas gostosas prontas para se matar se continuar olhando o seu decote e a bundinha gostosa da sua amiga de olhos verdes.&lt;br/&gt;- você não é muito gostoso nem bonito (verdade, não sou), mas a sua perversão escondida nos seus poemas de amor me deixou toda molhadinha. Não quer dar uma volta comigo?&lt;br/&gt;- mas uma vez agradeço, mas estou atrás da sua professora, Karol.&lt;br/&gt;- tudo bem, está perdendo o melhor sexo oral da sua vida...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando virou pude ver sua calcinha invadindo seu traseiro graças à brisa que entrava no auditório e levantava sua saia vermelha quadriculada.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Interrompendo o meu olhar, fui puxado para dentro de algo que parecia um armário onde guardavam os equipamentos esportivos. Era a mão de Karol:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- tinha esquecido como a sua sutileza me enlouquece, falou virando de costas e levantando seu vestido escuro, me penetra como antigamente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estava tão bêbado que segui cegamente suas instruções. Quando terminamos falei no seu ouvido:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- acabou. Não quero mais te ver, não quero mais ouvir falar de você. Deixo-te este orgasmo e nada mais. &lt;br/&gt;- como assim? É a birita falando, só pode ser, você me ama!&lt;br/&gt;- quando eu sair deste armário não quero que saia junto. Vai dar dez minutos e aproveitar este último orgasmo.&lt;br/&gt;- é essa tal de Jackie? Arnaldo, está apaixonado? perguntou ironicamente.&lt;br/&gt;- mulheres não me controlam, eu controlo mulheres. Fica aqui.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Me retirei e bati a porta. Não ouvi a porta se abrir, me obedeceu. Jackie olhava para o teto, completamente bêbada. Resolvi fazer uma ligação ao andar em direção a ela:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- alô, Arnaldo?&lt;br/&gt;- oi Laura.&lt;br/&gt;- tudo bom?&lt;br/&gt;- não posso falar agora, mas vou te ligar e vai me ver.&lt;br/&gt;- que?&lt;br/&gt;- vai me ver.&lt;br/&gt;- é assim?&lt;br/&gt;- é. Beijo.&lt;br/&gt;- beijo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=3e9adb2c-8c3b-4483-88da-6cb09d93d251' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-274156538819816962?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/274156538819816962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=274156538819816962&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/274156538819816962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/274156538819816962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/03/sexo-forte-cont-de-o-adestrado.html' title='Sexo Forte cont. de O &amp;quot;poeteiro&amp;quot; adestrado'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-1835818540889374999</id><published>2009-02-16T00:34:00.001-03:00</published><updated>2009-02-16T00:34:13.163-03:00</updated><title type='text'>O “poeteiro” adestrado</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Havia fechado a porta de casa quando, quase sincronizado com o som do bater da porta, o telefone toca. Ouço uma voz familiar do outro lado da linha. Era Karol, pedindo que a “quebrasse um galho” e desse uma pequena palestra para sua turma. Disse que sim, porque era ela. Se fosse qualquer outra mandaria tomar no cu e seguiria minha vida. Odeio palestras, e dar uma? Chute o meu saco, que sofrerei menos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Recebi a ligação no domingo:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- oi Arnaldo, sou eu.&lt;br/&gt;- eu quem? claro que sabia quem era, você não esquece a voz de quem opta por surrar seu coração e deixá-lo por morto.&lt;br/&gt;- como pode me esquecer? (concordo com a figura que se faz equivalente a um “Jack o Estripador dos meus sentimentos”)&lt;br/&gt;- oi Karol, como vai? (o homem é certamente o “sexo frágil”)&lt;br/&gt;- estou precisando de um favor, mas como te conheço fico até com vergonha de pedir.&lt;br/&gt;- diga, você sabe que por você, faço qualquer coisa. (insisto no “sexo frágil”)&lt;br/&gt;- preciso que venha na escola que estou dando aula e dê uma palestra...&lt;br/&gt;- sobre o que?&lt;br/&gt;- como assim? Sobre “Arnaldo Pereira” o autor.&lt;br/&gt;- meu passado está no passado. Minha nova obra é o que sou, e não está pronta, então não tenho o seu projeto completo. Quer que eu apareça assim mesmo.&lt;br/&gt;- mais que tudo, serei demitida se não achar um poeta para substituir o Fernan.&lt;br/&gt;- Fernan? aquela bicha que julgou melhor do que eu, a ponto de terminar tudo o que tínhamos.&lt;br/&gt;- terminei com ele, e de “birra” cancelou comigo, sabendo que ia me machucar profissionalmente, coisa que você não faria, né.&lt;br/&gt;- com outras, sim, mas não com você. (o que ela faz comigo é uma arte)&lt;br/&gt;- pára Arnaldo. (esse jeito dela...)&lt;br/&gt;- estou brincando... mas não sou poeta, Karol. Fernan é o seu “poeteiro”. Como substituo isso.&lt;br/&gt;- nossa você continua com essa de que ele um “poeteiro”.&lt;br/&gt;- no dia que ele parar de ficar masturbando poemas e realmente fazer amor com as palavras, vou considerar ele um poeta.&lt;br/&gt;- assim como o seu alter ego?&lt;br/&gt;- não, João Vianna também é um “poeteiro”, mas não sou eu.&lt;br/&gt;- mas faz um favor? Traz o João Vianna, seu louco.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sua última frase foi dita as gargalhadas. Seu riso era delicioso. Como senti falta deste som. Quando falava com Karol, o mundo virava um só, e era dela. A mulher que um dia me esnobou e me arrancou de um par, me jogando na solidão. A mulher que nunca foi superada na cama e no espelho. A mulher que virou alvo de comparação para todas as outras. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Jackie ainda viajava, mas voltava na segunda-feira. Isso me preocupava, pois Jackie, como todas as outras mulheres da minha vida, odiava Karol. E como não? Todas julgavam que a forma grosseira que relato hoje em dia, o jeito que trato o sexo oposto e o pouco romantismo que me sobra ter que escorrer por via de um alter ego, era tudo culpa da Karol, e como massacrou meu coração. Isso não só as frustra pela dama citada ter completo controle sobre minha vida, mas caso consigam quebrar este vínculo, serei somente mais amargo e grosso. Uma bela de uma “sinuca”. Resolvi que excluiria este fato de qualquer conversa com Jackie. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No dia seguinte, a cada passo que dava em direção à escola onde encontraria Karol sentia minhas pernas cada vez mais fracas. Me sentia cada vez mais aterrorizado de frente ao fato que encontraria com aquela víbora em forma de mulher e temia o pequena felicidade que sentia ao mesmo tempo. Quase vomitava ao lembrar-se de como éramos felizes juntos até o dia em que acabou tudo. Então, ainda perto de casa, resolvi me dar uma razão para sentir esta ânsia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fui da porta de casa para o balcão da cozinha na velocidade do som. Devo ter pegado a garrafa de cachaça na velocidade da luz, pois não me lembro de pegá-la. Comecei a virar doses e doses.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- oi Arnaldo, era Jackie, havia apagado completamente o horário de sua chegada de minha mente. Aonde vai que já está enchendo a cara?&lt;br/&gt;- não é muito aonde vou e sim o que vou fazer.&lt;br/&gt;- o que vai fazer então?&lt;br/&gt;- tenho que dar uma palestra sobre poesia.&lt;br/&gt;- ai, adoro o seu lado poeta, também vou!&lt;br/&gt;- não, Jackie, não vai. Vai ser chato, por isso a cachaça.&lt;br/&gt;- não quer que eu vá? Espera um segundo, que escola é essa?&lt;br/&gt;- uma pública, não conhece.&lt;br/&gt;- se não quer que eu vá, é onde trabalha aquela piranha, né? &lt;br/&gt;- enlouqueceu?! Que piranha?&lt;br/&gt;- também vou, me passa a garrafa!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Um silêncio calou as palavras com breves interrupções do som da cachaça derramada nos copos de requeijão. Chegaria atrasado, bêbado e acompanhada por uma “cadela com raiva”. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tudo para mostrar o meu lado “poeteiro” para jovens que se espelharão em uma figura controlada por álcool e mulheres.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;(este post terá sua continuação 19/02/09)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=c1cbda4e-b533-4ff2-a25d-d934512bfcd2' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-1835818540889374999?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/1835818540889374999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=1835818540889374999&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/1835818540889374999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/1835818540889374999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/02/o-poeteiro-adestrado.html' title='O “poeteiro” adestrado'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-7317801955736379563</id><published>2009-02-09T15:06:00.000-02:00</published><updated>2009-02-16T00:37:21.996-03:00</updated><title type='text'>Sensualidade é teu nome: Laura</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Na casa da Laura só havia duas lâmpadas. Frias. O desagrado de estar lá só era compensado pela visão daquela bela mulher tomando seu banho, ensaboando-se lentamente, cobrindo suas partes íntimas. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;A última vez que estive com Laura, havia me abandonado deixando para trás apenas um bilhete. Questionava a minha inspiração após uma tórrida noite de sexo. Não sei se foi o fato que os únicos orifícios da dama em questão que não havia gozado, haviam sido seus ouvidos e suas narinas, ou se Laura era apenas mulher de uma noite só, mas se foi com a aparente intenção de não ser encontrada. Não foi o que ocorreu, no entanto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Jackie havia viajado para o Nordeste para uma assinatura de seu livro e não estava com dinheiro sobrando para acompanhá-la. Ela entendeu e foi trabalhar. Fiquei. Após a deixar no aeroporto fui tomar uma cachaça num boteco na Maria Quitéria, o que era bem longe, mas tinha combinado de encontrar conhecidos neste local. Saltei algumas quadras antes e fui andando. No caminho esbarrei ombros, pois ando olhando para o chão, com a minha musa perdida.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o que faz aqui? Perguntou Laura.&lt;br/&gt;- sim. Afirmei&lt;br/&gt;- sim, o que, pirou.&lt;br/&gt;- sim, me “inspirou”. Vai para aonde?&lt;br/&gt;- estava só dando uma caminhada. E você?&lt;br/&gt;- eu também, menti.&lt;br/&gt;- estou com o som novo do Jim Noir lá em casa, quer ouvir?&lt;br/&gt;- beleza.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não. Não queria ouvir, embora goste, só queria ter mais uma noite com aquela mulher que esbanjava sensualidade em forma de suor, passo a passo, nas ruas fervidas de Ipanema. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Chegando em sua casa, no início de Copacabana, reparei nas luzes. Odeio luz fria. No entanto, não tive tempo de pensar nisso. Senti uma mão esquerda posar levemente no meu ombro e um sussurrar no meu ouvido:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- vou tomar uma chuveirada, só gosto de ficar suada depois de gozar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E lá foi aquela bela mulher banhar-se. Deixou a porta escancarada e pude ver toda a cena como um filme pornô “light”. Antes de entrar no banheiro ligou o computador e deixou o Jim Noir a tocar. Quando saiu do chuveiro, entrou no quarto de toalha e pediu para eu abrir se armário para que pudesse trocar o som enquanto isto. Pediu que eu abrisse a gaveta debaixo e pegasse “a preta”. Abri uma gaveta só de calcinhas e só via calcinhas minúsculas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- vou colocar The Smiths, tudo bem? Perguntou.&lt;br/&gt;- a gente faz um acordo, você vai e bota o som que quiser, mas não se veste.&lt;br/&gt;- joga logo a calcinha.&lt;br/&gt;- vem buscar, então.&lt;br/&gt;- ai, chato...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando se aproximou de mim a empurrei de barriga no colchão de sua cama. Como consigo tirar a minha roupa em uma velocidade entre a do som e a da luz, já estava por cima dela, segurando suas mãos com força contra o colchão. Me forçava com intensa penetração fazendo aqueles olhos de gatinha cor de mel lacrimejar. Laura batia as mãos sem muito esforço para se soltar e dizia: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ai Arnaldo só você...&lt;br/&gt;- só eu, dizia forçando seu rosto contra o colchão, o que?!&lt;br/&gt;- consegue... ler... minha... mente!!!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt; &lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Na manhã seguinte, acordei e Laura dormia intensamente. Escrevi em um bilhete meu telefone deixei em sua cabeceira e me fui. Sim, certamente estava inspirado.      &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;div class='zemanta-pixie'&gt;&lt;img src='http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=36b1f01b-b6b3-400a-9108-3ecf15060c69' class='zemanta-pixie-img'/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-7317801955736379563?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/7317801955736379563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=7317801955736379563&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/7317801955736379563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/7317801955736379563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/02/sensualidade-e-teu-nome-laura.html' title='Sensualidade é teu nome: Laura'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-9193835374787190802</id><published>2009-02-04T15:38:00.001-02:00</published><updated>2009-02-04T18:04:28.058-02:00</updated><title type='text'>QUEM-É-QUEM nos versos porcos (exclusivo para novos leitores)</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Mini QUEM-É-QUEM (a pedidos):&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Jackie&lt;/b&gt;: cursou faculdade com Arnaldo Pereira; está em turnê de lançamento de seu livro mas mora no minúsculo apartamento do Arnaldo e assim estão em algo que se aproxima de um relacionamento; o namorado a expulsou de casa após traí-lo; está como "namorada" do Arnaldo até o momento (Primeira aparição em “Metade do Rosto” desde então predominante nos relatos de Arnaldo Pereira)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Laura&lt;/b&gt;: "Musa" para Arnaldo, objeto de cobiça após uma noite de sexo; tem tudo que procura em uma mulher: ausência, mistério, e, é claro, sensualidade; mais sobre Laura ainda será revelada (Leia “Inspiração canhota”)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Paulie&lt;/b&gt;: colega de faculdade, embora cursos diferentes (Paulie, economia); Paulie dava as maiores festas, no estilo muita bebida e mulher, mas no dia que Arnaldo violou a confiança de Paulie violando Anika, prima que considerava uma irmã, em ato de vingança por pegar Paulie com a paixão de Arnaldo da época; a história de Paulie surgiu quando Jackie chamou Arnaldo para assistir a notícia da morte de Paulie na televisão (Leia “Um canalha chamado Paulie”)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Anika&lt;/b&gt;: Prima de Paulie; Arnaldo teve seu primeiro encontro com a bela Anika em uma das festas de Paulie e passou horas cobiçando seu traseiro enquanto pegava o gelo das caipivodkas de Arnaldo; estudante de desenho industrial e consideravelmente mais nova; presenciou o flerte de Arnaldo com Karol e como Paulie se aproveitou dos dois para violar a paixão de Arnaldo, Karol, bêbada demais para reagir; orquestrou a vingança de Arnaldo dando seu corpo para que ele pudesse despertar o ódio de Paulie violando sua priminha; mais sobre Anika ainda será revelada (Leia “Um canalha chamado Paulie”)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Karol&lt;/b&gt;: a grande e verdadeira paixão de Arnaldo Pereira; com breve aparição na festa de Paulie certamente terá nova aparição de importância; mais detalhes ainda estão para ser revelados (Leia “Um canalha chamado Paulie”)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Annie&lt;/b&gt;: amiga de Jackie, introduzida a Arnaldo após uma assinatura de um dos livros de Jackie; o relacionamento foi breve, pois um lado psicopata da personagem foi revelado como a culpada do assassinato da vizinha de idade de Arnaldo (Leia: “Foda e a Morte” e “Metade do Rosto”)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;Kandi e Fernanda&lt;/b&gt;: irmãs gêmeas; embora desprezasse Kandi (não apelido, tipo bala em Inglês), quando jovem Arnaldo a namorou por poucos meses; ao visitar sua família em São Paulo conheceu sua irmã Fernanda e resolveu ir atrás dela; ao desenvolver da história perdeu as duas (Leia “Suando Lágrimas”)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-9193835374787190802?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/9193835374787190802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=9193835374787190802&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/9193835374787190802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/9193835374787190802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/02/quem-e-quem-nos-versos-porcos-exclusivo.html' title='QUEM-É-QUEM nos versos porcos (exclusivo para novos leitores)'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-3274550084556592857</id><published>2009-02-04T03:01:00.000-02:00</published><updated>2009-02-04T03:01:01.129-02:00</updated><title type='text'>Arnaldo Pereira, por Arnaldo Pereira</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Hoje acordei com uma ressaca fora do normal e me deparei com este documento. Havia sido escrito por mim, ou pelo menos eu acho, pois não lembro de nada da noite de ontem. Acredito que estas palavras sejam minhas:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;"Não troco minhas dores no fígado, minhas mulheres e minha solidão que só de toxicidade tem, por uma nova vida. Não quero dinheiro, o capital me traz ânsia de vômito. Assim como a nova gramática, que me algema a parceria de palavras travestidas. Sou o autor das Palavras Perdidas e me conhecem quando me desconheço.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sou Arnaldo Pereira, sou parado nas ruas de Copacabana por jovens autores sem futuro, assim como eu, que sonham em um dia escrever um livro que marcará uma época, um centenário, uma vida, e não será um best seller. Ouço mulheres belas me contarem histórias e delas fico a parafrasear, ouço homens maduros me contarem histórias e delas fico a ignorar. Sou poeta aramado e uso poemas plagiados para virgens penetrar. Sou o que tem de pior em você, fadado ao inferno dos escritores, fadado a vida eterna.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Entorpecido, ando torto e já não reconheço o meu reflexo. Uso alter egos para alterar e misturar a vida do verdadeiro eu. Este quebra cabeça que vivo e escrevo me permite admitir de pés juntos que sou Arnaldo Pereira, fadado ao inferno dos escritores, fadado a vida eterna."&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-3274550084556592857?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/3274550084556592857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=3274550084556592857&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/3274550084556592857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/3274550084556592857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/02/arnaldo-pereira-por-arnaldo-pereira_04.html' title='Arnaldo Pereira, por Arnaldo Pereira'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-5740637078077341725</id><published>2009-01-30T18:09:00.001-02:00</published><updated>2009-01-30T18:11:56.540-02:00</updated><title type='text'>Patos e Cegonhas</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- você é um interprete no seu mundinho solitário, é isso que você é, Arnaldo. E quer saber mais? Eu sei que fica de olho naquela piranha, aquela tal de Laura, fica comendo ela com os olhos... e Jackie seguia a reclamar dos patos e das cegonhas. Meus vizinhos vinham ouvir estes belos monólogos, pois Jackie brigava sozinha. E quando ela se retirava, me perguntavam: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- rapaz, porque continua com essa mulher? Ela só te traz dor de cabeça... vive gritando com você...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ela é do bem, cara, ela é do bem. Eu respondia, distante de mentir. Se tem uma coisa que Jackie é, dentro de todas as suas loucuras, é “do bem”. Aliás, acho que a razão que a deixo morar comigo vai muito alem do sexo suado e gostoso, com técnicas só dela, mas todo o jeito dela, que me seduz e me transforma.  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Lembro da nossa primeira noite juntos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tudo começou após uma leitura, que por uma coincidência, subi ao palco por ultimo, com Jackie me antecedendo Digo que era coincidência porque Jackie nunca lia nas mesmas leituras que eu, temos estilos completamente diferente. Poderia até usar uma expressão que roubo da própria: sou Pato, com jeitão de esperto, mas por mais que bata as asas não decolo, apelo para um público menos intelectual, ou os repugnantes pseudo-intelectuais; ela, no entanto, é a Cegonha, voa com facilidade, mas quando posa, não só procura, como se contenta com o lixo. Jackie, no entanto, chama todos os homens e mulheres, quando brava, bêbada ou querendo fazer graça, de “Patos e Cegonhas”. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas nesta leitura, lá estava ela lendo, quase chorando, lacrimejando sobre amor e falta de compatibilide. Cada lágrima, cada vogal, me chamava a atenção, Jackie pode não seguir o meu estilo, mas escreve bem. Quando subi ao palco, lia os meus textos sobre paixões antigas, e todos os clichês, mas só pensava naquela colega de faculdade e sempre amiga, de forma diferente. E via nos olhos dos meus ouvintes que ainda eram ouvintes dela. Quando terminei me aproximei dela: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- bonito, garota, bonito. Meio triste. Verídico, né?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- oi Arnaldo, sempre a “felicidade” em pessoa.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- nós somos amigos, não quer me contar? Se for idiota, finjo interesse.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- obrigado. Acho que isso foi o mais bonzinho que já vi você ser com qualquer pessoa do planeta.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- foi.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- meu namorado, ele é o máximo, mas também é tudo que li. Por exemplo, nunca veio a uma leitura minha, e nem apareceu na leitura e assinatura do meu livro. Meu livro que até o tem como personagem...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- nos conhecemos a anos e não sabia que tinha namorado. Descobri hoje.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- você também não se interessa por nada, só escrever, foder e beber. E para colar um clichê, não necessariamente nesta mesma ordem.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- verdade, isso me lembra, quer um drink?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- é o que mais quero. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fomos ao boteco mais próximo e “travestimos” a idéia do drink com uma garrafa de cachaça, cortesia do seu Zé. Ele nos deixou levar a garrafa, pois não queria ninguém chorando no seu boteco, e Jackie estava aos prantos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Foi bom que pudemos levar a cachaça conosco, pois estava um dia muito frio para uma noite de verão. Bebíamos direto na garrafa, mas era óbvio que Jackie bebia mais, e já estávamos gaguejando e rindo do nada. Imaginei que nada aconteceria entre nós esta noite, era uma noite como tantas outras que bebíamos até cair, mas entre fungados e soluços ela voou em mim. Meio sem entender, segui os meus instintos, e retribui. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- vamos para a sua casa, disse, com a língua já acariciando o interior do meu ouvido e a mão já trabalhando no abrir da minha calça. Ainda podia para e salvar uma amizade, mas seria fora de personagem, e me faltava uma mínima sobriedade.  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O ínterim não é muito interessante. Aliás, é tão sem graça que irei direto para a cama de minha casa.  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No momento em que abri a porta Jackie correu para a minha cozinha. Não entendi: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- é, Jackie..? esse é cômodo errado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- quero aqui! disse, muito bêbada. Meu namorado nunca me comeu na cozinha. Certamente sua pia nos aguenta, né?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Claro! na hora pensei que provavelmente não aguentaria, mas não me importei. Lá estávamos os dois em cima da pia. Enquanto eu reclamava da posição, Jackie reclamava do Bombril no seu traseiro. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Logo estávamos na cama. Suávamos, Jackie chorava, gemia e gritava, e eu a domava para que não acordasse os vizinhos. Depois de dois orgasmos, me pedia mais: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- me come! Me faz sua mulher! &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Expressava gritos com tom de liberdade. Depois de um tempo, começou a me assustar. Jackie tinha um “alguém” que a fazia mulher. Não precisava de mim. Normalmente acharia ótimo, mas não no caso de uma amizade como a nossa, alguém que admiro. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Depois de mais gritos virou e dormiu. Fiquei olhando pasmo, não era a mulher que eu conhecia. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Acordei cedo, com a voz de Jackie, achei que falava comigo. Estava enganado. Jackie estava falando no seu celular, nua, confessando tudo, e eu dou ênfase ao tudo, para o seu namorado: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ...estou na casa do Arnaldo... é fodemos... não... não o amo... amo você, me desculpa... onde vou morar?..  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Isso vai dar merda. Isso deu merda.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-5740637078077341725?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/5740637078077341725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=5740637078077341725&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5740637078077341725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5740637078077341725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/01/patos-e-cegonhas.html' title='Patos e Cegonhas'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-5146870911481236944</id><published>2009-01-22T03:33:00.000-02:00</published><updated>2009-01-22T03:37:26.564-02:00</updated><title type='text'>Um canalha chamado Paulie</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Mais uma vez, me vejo sentado em frente ao computador e nada. Não sei se é a sobriedade ou a merda da insônia que me assombra desde que Jackie voltou pra minha cama... No entanto, minha vida, neste momento presente, não é do que quero escrever. Vou escrever sobre um canalha chamado Paulie.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Lembrei de Paulie ontem quando estava escrevendo um poema por via do chato do João Vianna e Jackie me chamou da sala:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- olha Arnaldo, não é aquele amigo seu.&lt;br/&gt;- quem? me levantei, pois não era sempre que um conhecido meu aparecia na televisão.&lt;br/&gt;- o Paulie, da faculdade, sofreu um acidente de carro...&lt;br/&gt;- morreu?&lt;br/&gt;- morreu.&lt;br/&gt;- levou alguém com ele?&lt;br/&gt;- isso é pergunta que se faça?&lt;br/&gt;- no caso dele, sim.&lt;br/&gt;- levou, duas meninas no carro com ele. Uma menor de idade.&lt;br/&gt;- é uma canalha...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Jackie começou a falar e possivelmente lamentar as três mortes. Em pouco tempo, já não acompanhava o sentimentalismo chato dela. Mas hoje, ao sentar para escrever, lembrei daquele babaca e resolvi escrever algo que ilustra bem o meu relacionamento com Paulie.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Como de costume, Paulie dava grandes festas na sua casa no Joá. Fazia grandes churrascos com duas peças de picanha para duzentas pessoas. Destas duzentas, obrigatoriamente, mais da metade eram mulheres. E desta quantidade, uma porcentagem altíssima era de mulheres bonitas. Para completar, a quantidade de bebida era infinita. Digo isso, pois as festas de Paulie nunca “secavam”.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nesta noite específica estava sentado no bar da casa de Paulie conversando com uma jovem com jeitinho de alemã que estava a servir as bebidas. Uma música terrível estava tocando aos berros na festa, o que também era de costume, e tive uma dificuldade enorme para entender o nome da dona daquele traseiro que vinha na altura do meu rosto toda vez que abaixava para pegar gelo, tendo que perguntar novamente a cada caipirinha que pedia. Mas tenho que admitir, foram as melhores e mais aguadas caipirinhas que já bebi na minha vida. Anika me contava que adorava desenhar, mas não conseguia ganhar dinheiro com sua paixão, hoje todos tinham que ser “designers” para ganhar dinheiro. Eu ria e concordava, já escrevia, sabia como era.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Paulie e todos os seus amigos já estavam no mercado de trabalho, estavam se formando em Economia. Todos já tinham muita grana, e pouquíssimo conteúdo. Chatíssimos. As conversas todas fluíam da mesma maneira:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;“- prazer, Arnaldo.&lt;br/&gt;- beleza, meu chapa? Sou amigo de faculdade do Paulie.&lt;br/&gt;- é eu estou sabendo. Sou da faculdade de vocês, só que estudo Letras.&lt;br/&gt;- sério? Não gosta de dinheiro?.. Estou brincando contigo!..&lt;br/&gt;- haha, boa...&lt;br/&gt;- agora falando sério, terminei o Arte da Guerra agora, cara, tem me ajudado muito no trabalho(...)&lt;br/&gt;(e assim por diante)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Então acabava conversando, ou com as mulheres que queria foder no fim da noite, ou, enchia a cara o suficiente para expor minhas teorias econômicas com os amigos de Paulie. Me achavam genial (a Vodka pode arruinar a economia de uma nação). &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Enquanto babava o traseiro de Anika, Karol, uma das maiores paixões de minha vida (acredito nisso até hoje), sentou do meu lado, exalando sexo. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- está bonitão hoje... disse completamente bêbada e caindo por cima de mim (não em cima). A coloquei de volta no banco. Aproveitei seu estado (e o meu):&lt;br/&gt;- que tal conversarmos um pouco no quarto? Anika “desenha” duas caipirinhas de morango daquele seu jeito, falei com malícia.&lt;br/&gt;- não precisa de gelo não... Karol falou com cara de que sabia minha intenção. Levantou e foi para o quarto. Traz as bebidas, gato.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Esperando as bebidas, Anika me fez uma cara de safada e resolveu colocar gelo no meu drink. Enquanto apreciava a vista ouvi uma voz familiar:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- bonito, Arnaldo...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Era Jackie. Tinha uma ou duas aulas com ela, na época, então conversamos por alguns segundos. Peguei as bebidas e expliquei a situação:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- por isso tenho que ir, mas adoraria conversar mais...&lt;br/&gt;- aquele quarto? perguntou.&lt;br/&gt;- isso.&lt;br/&gt;- o Paulie entrou lá agora.&lt;br/&gt;- filho da puta... falei pulando do banco, indo em direção ao quarto. Estava desequilibrado e me chocava e tropeçava em móveis ou pessoas. filho da puta! (pensei novamente) &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não fiquei surpreso e sim decepcionado. Karol já estava com as pernas para o alto. Não sabia o que me trazia mais desagrado, olhar para Karol em posição de frango assado com Paulie, ou o traseiro do canalha se indo e voltando, ao penetrar a vagina que tanto cobiçava. Fechei a porta e dei de cara com Anika que só de olhar para o meu rosto já sabia o que havia acontecido.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- meu primo é um merda, disse, me surpreendendo com o laço familiar.&lt;br/&gt;- pior é que ele sabia como eu me sentia. Canalha.&lt;br/&gt;- sabe que com todas as “taradices” dele, ele ainda me considera uma irmã. E é muito ciumento...&lt;br/&gt;- sério?.. &lt;br/&gt;- vou ser bem clara,&lt;br/&gt;- seja.&lt;br/&gt;- ele vai ficar puto caso acorde amanhã e me veja na cama com você.&lt;br/&gt;- (provoquei) então?..&lt;br/&gt;- me fode, me fode do jeito que ele está fodendo com a sua mulher.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;E é por isso que eu o considero um canalha. Anika e eu ainda tivemos um breve relacionamento, mas já estou me estendendo. Ele ficou tão puto que nunca mais me chamou para as suas festas e me proibiu de ver Anika (talvez por isso continuei a me relacionar com ela).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;O canalha ainda transou diversas vezes com a Karol, chamando ela de puta, pobre e imprestável, pros amigos merdas dele. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ficava puto, agora não tenho mais este fardo, não ligo mais.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Agora está morto.      &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Acho que vou dar uma ligada para Anika. Ou para Karol... veremos...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-5146870911481236944?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/5146870911481236944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=5146870911481236944&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5146870911481236944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5146870911481236944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/01/um-canalha-chamado-paulie.html' title='Um canalha chamado Paulie'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-6228621236371329923</id><published>2009-01-12T23:19:00.001-02:00</published><updated>2009-01-14T02:30:59.759-02:00</updated><title type='text'>Chorou, ganhei - cont. de Palavras depiladas</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Todo mundo vive em uma novela. Não aquelas de boa qualidade (se há alguma), e sim aquelas toscas que não passariam no horário nobre. A minha novela passaria de madrugada, longe das crianças e do horário nobre ou dos canais evangélicos. Convivo com cenas de sexo explícito, escatologia, e constante apologia à bebida e drogas. Na verdade acredito que seria censurado da televisão e do planeta. Teria uma audiência de baixo nível, mas em grande quantidade, isto é, nos breves episódios que passassem pela censura. Como toda novela, vou continuar de onde parei:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;- acorda. gritei baixinho e balancei aquele corpo inconsciente sujo de vômito e suado de foder sem ar condicionado. Virou de costas para mim e, instintivamente, abriu as pernas como quem aguarda uma penetração traseira. A situação estava tão bizarra que se sua vagina respondesse para deixar-la dormir, não acharia estranho. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Jackie continuava entrando, mas acredito que achava que eu estava dormindo, pois não havia respondido ainda. Como havia bebido um pouco (demais), não estava tão preocupado, e, no pouco tempo que tive para bolar um plano, preferi sair e interceptá-la. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Neste tipo de situação prefiro fazer com que elas se sintam culpadas da forma mais maquiavélica, se conseguisse tira-la do meu apartamento ganharia este round. Se a fizesse chorar, melhor:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Jackie? fechei a porta do quarto com uma perfeita cara de falso sono e confusão.&lt;br/&gt;- oi Arnaldo, estou interrompendo? Está com alguém? mulher cheira merda de longe...&lt;br/&gt;- que? Estava no décimo sono... o que está fazendo aqui? perguntei como quem estivesse morrendo de saudade e lhe dei um abraço.&lt;br/&gt;- que cheiro é este de cachaça? Estava escrevendo ou fudendo. afirmou... eu estava perdendo este round. A tensão vindo do quarto também não estava ajudando (qual o nome da mulher do boteco!?). Mas a guerra já estava decidida. Resolvi atacar, preparem o “Oscar”:&lt;br/&gt;- ok, Jackie, quer a verdade? Estava tentando escrever, e como sabe tenho que encher a cara para isto. Mas desde que me deixou não consigo escrever uma palavra que não seja deprimente. Sinto como se estivesse escrevendo com lágrimas nas teclas da máquina. Um perfeito exemplo do que tenho escrito, aliás. Não aguento mais. Preciso sair daqui, mas com você. &lt;br/&gt;- eu também, vamos sair deste lugar onde tanto brigamos! disse chorando (ganhei) e me apertando.&lt;br/&gt;- seu coração é de ouro, e vai curar o meu, disse de forma ridícula.&lt;br/&gt;- te amo muito. Vamos foder. Vamos no “nosso motel”.&lt;br/&gt;- vamos. Não repeti que a amava, não sou louco. Mas sobre nosso motel, uma pequena aula de romantismo como arma: mulheres consideram o primeiro motel descente o “nosso motel”, então use sempre o mesmo para todas. Só tome cuidado com “amigas próximas” e “familiares”, se descobrirem o plano, afunde com o navio, pois você se fodeu.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fomos se atracando até o corredor e chamei o elevador. O raciocínio de um bêbado devia ser estudado por profissionais, pois, planejei um resgate de minha carteira no quarto sem ousar entrar mais uma vez no quarto com Jackie no apartamento. Deixei com que Jackie ficasse segurando o elevador, voltei para o quarto, encostei a porta e abri a gaveta da cabeceira. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- está procurando isso? me virei e pude ver a mulher do boteco ainda nua, de lado, apoiada no braço direito e balançando minha carteira com a mão esquerda.&lt;br/&gt;- obrigado. Peguei a carteira de sua mão.&lt;br/&gt;- não tem nada para me perguntar?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ignorei aquela piranha anônima. Já estava virando a maçaneta mas resolvi me virar e responder:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- tenho sim.&lt;br/&gt;- quer saber meu nome, né?&lt;br/&gt;- não, quero saber se pode pegar as suas coisas e partir em antes do amanhecer? Mais uma vez obrigado. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-6228621236371329923?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/6228621236371329923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=6228621236371329923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/6228621236371329923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/6228621236371329923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/01/chorou-ganhei-cont-de-palavras.html' title='Chorou, ganhei - cont. de Palavras depiladas'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-6495945508448004485</id><published>2009-01-12T05:46:00.001-02:00</published><updated>2009-01-13T17:16:37.784-02:00</updated><title type='text'>Palavras depiladas</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Me falha inspiração, me falta vontade. Mais uma vez o chão dobra balança e treme. Estou na minha penúltima cerveja. Número onze. Me sinto na obrigação de admitir que voltei do boteco da esquina da Fernandes Guimarães a pouco. Mera coincidência, digamos sorte, acabei com uma jovem apagada aqui em minha cama ainda tremendo do orgasmo que pretendia fingir atingir. Vejo, com minha visão periférica esquerda, vestígios de vômito no canto de sua boca. Não quero, e não devo, me deitar hoje. Pelo menos não ao lado dela.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Sinto dores. Não sei, o médico disse que pode ser o meu fígado. Perguntou se bebo muito e respondi que sim. Afirmou ser o fígado. Me passou uma bateria de exames para confirmar seu pré diagnóstico, acho que doze no total. É, doze, a quantidade de cervejas que comprei no mercado no caminho de casa. Não vou fazer os exames... de ressaca não sinto estas dores.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Mulheres, dores, jornais cobrando e leituras. Distrações. Tenho que me concentrar em beber e escrever (a ordem já não importa). A mulher do boteco deita inconsciente na cama nua. Está de pernas abertas com sua vagina exposta, depilada. Digo isso, pois serve como um belo contraste de como me sinto ao escrever este relato: sem conteúdo. Sinto que se me ausentar de fatos curiosos, engraçados e na maioria das vezes eróticos, perco o conteúdo que me foi dado naturalmente, assim como os cabelos que agora inexistem naquela buceta de criança. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;No momento não penso em palavras profundas ou frases engraçadas. Não tenho “pulos do gato” ou conclusões surpresas. Tenho uma forte dor de cabeça e um membro ereto (sou tarado por essa falta de pentelhos).  Gostaria de saber o nome da mulher que fica a suar nos meus lençóis para poder acorda-la e mandá-la embora. Não me importa a sujeira dos resíduos internos que deixa no meu travesseiro, mas sim, sua presença nua e seu belo e  sensual corpo, nua, como veio ao mundo.     &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Hoje vou escrever sobre escrever distraído. Hoje, pretendia não vou escrever. Sinto falta de uma musa. Saudades de Laura. Saudades de ter alguém para beber um bom vinho tinto na serra de Petrópolis, ter algo sobre o que escrever. Saudades de não estar curando ressaca com cerveja.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Ouço outra distração. Alguém na porta:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- abre Arnaldo sou eu...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Inacreditável, Jackie bate na porta que bêbado esqueci aberta;&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- quero conversar, Arnaldo... quero você...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Com a minha visão periférica direita vejo Jackie entrando lentamente. Não respondo. Com a esquerda, vejo o acordar da mulher que virava o rosto na parte vomitada da almofada. No meu subconsciente vejo Laura.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Preferia não ver ninguém... &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Arnaldo Pereira&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-6495945508448004485?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/6495945508448004485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=6495945508448004485&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/6495945508448004485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/6495945508448004485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/01/palavras-depiladas.html' title='Palavras depiladas'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-9172860840815332515</id><published>2009-01-05T02:39:00.001-02:00</published><updated>2009-05-23T04:24:22.609-03:00</updated><title type='text'>Inspiração canhota</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Tudo terminou com uma foda, como tudo deveria começar. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Após várias leituras de poemas tragicamente parnasianos e crônicas prepotentes (uma destas, minha), Laura tomou o microfone com a sua mão esquerda. Tinha a silhueta de uma francesa com o gingado de uma brasileira. Olhava para seus olhos cor de mel e sua blusa abotoada somente na altura de seus seios pequenos. Seios que seguravam, sem sutiã, o pano fino que vestia e ousava chamar de blusa. Sua deliciosa barriga estava exposta e eu encarava seu pequeno umbigo como se fosse hipnótico. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Seu rosto merece um parágrafo. Como já mencionei, tinha olhos mel, pequenos e levemente puxados. Diria, usando uma comparação que flutua entre o piegas e o brega, olhos de gatinha. Tinha também um ar sensual no jeito que puxava seus “s”s e “r”s, não o fazia como toda carioca, e no jeito que, por mais que pudesse facilmente fazer qualquer homem da sala lamber a unha de seu pé esquerdo, lia com um certo nervosismo. Sua pele era diferente da típica brasileira, parecia a de uma islandesa (alguém cochichou este fato na sala). Seus lábios colavam toda vez que falava os “p”s e fazia um biquinho nos “t”s, mas nunca abria a boca o quanto se esperava pelo volume elevado que falava. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Era uma deusa e segurava o microfone com seus três dedos de baixo ao recitar sua obra. Embora pobre, fiquei contente por ter ouvido sua crônica, pois se conseguisse me aproximar dela teríamos algo o que conversar.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Como em todas as leituras (ou “reuniões literárias”, como os “neo-intelectuóides” as chamavam), a quantidade de bebida não era farta. Longe disso, poderíamos dizer que as leituras era aonde Jack Daniels e José Cuervo vinham para morrer de sede. Mas já sabia deste fato deprimente e carregava comigo uma garrafa de plástico de cachaça na mochila. E desta me “alimenta”. Não queria conversar com ninguém e fiquei umas boas duas, quase três, horas bebendo em um banco vendo se Laura aparecia. Mas neste deserto parecia não haver oásis. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando desisti e comecei a guardar a minha aliada na mochila, senti uma mão esquerda segurar levemente com os mesmos três dedos que seguravam o microfone:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- estava procurando você, Laura disse em um sussurro sensual, olhando para a garrafa e não para mim.&lt;br/&gt;- pode ficar com o resto, já passei dos limites.&lt;br/&gt;- passou mesmo, esta garrafa estava cheia?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quase não consegui responder. Na verdade, não respondi, mas não pareceu ligar. Pegou a garrafa e começou a dar goles que nem eu agüentaria segurar. Sempre trazia as cachaças mais quentes e vagabundas, para ter efeito rápido. Gostava das minhas cachaças como das minhas mulheres.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- sua reputação não mente, Arnaldo. Quando se trata de bebida, isto é. Suas crônicas já não tem valor nem para você.&lt;br/&gt;- quem é você para fazer uma afirmação assim. A chorona no palco era você.&lt;br/&gt;- pelo menos leio algo que importa para mim, sei que estava pobre...&lt;br/&gt;- que bom, interrompi-a pegando minha garrafa no meio de um de seus goles. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Encharquei sua blusa de tal forma que seus mamilos ficaram visíveis para todos. Acredito que foi conseqüência de embriaguez, mas comecei a rir. Olhou para mim, vermelha, não de vergonha, mas de raiva, e me puxou pegando a garrafa da minha mão. Virou a cachaça lentamente no meu colo e enquanto o fazia falava baixinho encostando a pontinha dos lábios no meu ouvido:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- vamos pra sua casa... quero te inspirar...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;***        &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Laura! chamei-a, esperando um segundo round matinal da noite de sexo quente e insuperável por mulher alguma. Levantei a cabeça e senti uma dor no pescoço provocada pela força que apertou minha cabeça com as pernas enquanto penetrava seus lábios vaginais com minha língua. Desisti de levantar a cabeça. Senti com a mão direita que havia deixado um bilhete. O bilhete tinha escrito somente uma palavra: Inspirado?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Vadia...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-9172860840815332515?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/9172860840815332515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=9172860840815332515&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/9172860840815332515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/9172860840815332515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2009/01/inspirao-canhota.html' title='Inspiração canhota'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-8398608634529331834</id><published>2008-12-24T04:39:00.001-02:00</published><updated>2008-12-24T04:39:12.379-02:00</updated><title type='text'>FELIZ NATAL</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Jackie já estava morando aqui em casa há três semanas e um troco. Depois de trair seu namorado comigo, tive que dar uma ajuda para a mais nova sem teto. Tudo corria muito bem, no começo. Era uma ótima parceira de fodas e porres. Tinha a decência de guardar para de manhã para praticar o ato quando eu bebia demais para dar conta e pagava pela comida que consumia. Era a hóspede ideal. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mas eu conhecia Jackie e sabia que isso não ia durar. Era o meu oposto. Adorava festas, adorava gente, adorava família e assim por diante. Já eu odeio qualquer evento que eu tenha que falar com alguém que eu não conheça e fico contente com o fato que a família Pereira já está toda morta (ou pelo menos assim eu a considero). &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Eu a conhecia muito bem mesmo, pois não durou mesmo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o Natal está chegando aí, Arnaldo. Você vai visitar seus pais?&lt;br/&gt;- não.&lt;br/&gt;- ai que bom! Eles vem aqui? Estou louca para conhece-los!&lt;br/&gt;- eles também não vem. &lt;br/&gt;- estive na sua festa de aniversário deste ano, eles também não estavam.&lt;br/&gt;- Jackie, para começar, você estava comigo na data do meu aniversário, não teve festa. Não dou festas.&lt;br/&gt;- mas tem que dar! Se continuar assim vai morrer sozinho.&lt;br/&gt;- durante esta conversa, só não quero morrer porque está aqui.&lt;br/&gt;- ai, seu chato.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Este dia foi quando percebi que podia mesmo me pagando tantos lanches e boquetes, tinha que me livrar de Jackie. Toda vez que conversávamos tinha que me segurar para não chamar ela de vadia festeira filhinha de mamãe. Mas perdia sempre a hora certa para mandar ela embora.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Dia 24 de dezembro. Merda, não podia jogar ela na rua na véspera de natal. Afinal, no fundo, é uma das poucas mulheres que respeito além da cama. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- estava pensando neste Natal, não vou deixar que passe sozinho!&lt;br/&gt;- sei... vai passar comigo, né? (queria muito que negasse)&lt;br/&gt;- está parcialmente certo. Chamei os meus e os seus pais e vou preparar uma ceia aqui mesmo. Vou limpar a cozinha e onde trabalha para abrir espaço para a ceia e...  &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Pensei. Assassinato. Não, demais. Surra. Não, eu iria preso de qualquer jeito. Não sabia o que fazer. Se abrisse a boca perderia uma amizade, e sexo matinal, mas se me levantasse iria preso, pois Jackie conseguiu quebrar todas as regras de conduta para morar comigo. Tive uma idéia. Não era genial. Conseguiria lidar com todas as situações de uma vez. Ainda perderia a amizade de Jackie, mas depois do que fez... Pelo menos perderia fazendo algo que gosto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- adorei a idéia! Atuação perfeita. Estou ansioso para o evento, só que vou ter que dar uma saída hoje fim de tarde, um lance de trabalho, mas chego para o Natal.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;- fala Zé, o boteco está as moscas. Me traz aquela cachaça.&lt;br/&gt;- é Arnaldo, eu sou judeu, você é o único maluco que senta aqui na véspera do Natal.&lt;br/&gt;- posso sempre depender na cachaça do tio Zé! disse, tirando a bateria do celular que tocava de forma incessante.&lt;br/&gt;- é, entendi... Se não tomar cuidado vai morrer sozinho.&lt;br/&gt;- ficam falando isso. Estou cagando, não pretendo dividir meu caixão com ninguém.&lt;br/&gt;- hahaha, feliz Natal!&lt;br/&gt;- O melhor! disse, levantando o que seria a primeira, e com certeza não a última, dose de cachaça da noite.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-8398608634529331834?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/8398608634529331834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=8398608634529331834&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/8398608634529331834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/8398608634529331834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2008/12/feliz-natal.html' title='FELIZ NATAL'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-1717795085700828557</id><published>2008-12-20T04:15:00.001-02:00</published><updated>2008-12-21T07:07:46.376-02:00</updated><title type='text'>Amor, do jeito dela</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;br/&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Jackie vinha como queria. Invadia o meu espaço, o que eu considerava minha bolha. Enquanto sentava a escrever, falava coisas do tipo, “Como está lindo o sol!”, mesmo mentindo. Coisas que tinha de levantar a cabeça para concordar, pelo menos com o elevar da testa, já enrugada de tanto questionar. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- me ama? perguntava, com frequência demais.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- amo, amo sim, mentia, preciso trabalhar.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Mentia, pois gostava dela. Sabia que certas respostas, ou falta destas, decidem amizades, coloridas ou não. O corpo de Jackie não era a única razão que eu  estava com ela. O sexo era bom, nada de extraordinário. O fato de ela sempre chorar ao terminar o ato me dava uma certa agonia, mas era uma entusiasta do sexo oral. Acho que todas deveriam ser.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- quer algo da cozinha? perguntava. Na verdade não queria me trazer nada da cozinha, queria a minha atenção quando não a teria. Posso ser até bem agradável com Jackie, pois, tenho este dom com pessoas agradáveis (acho que todos temos). Ela sabia conversar sobre coisas inteligentes sem ser chata, ao contrário da minha pessoa. Já ouvi de muitos, inclusive de Jackie, que muitos me acham um chato.  &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Escrevia para um jornalzinho “underground” local. Comecei com um poema, mas dentro de tantas distrações, acabei optando por uma crônica. Sei que não será aceita, mas o dinheiro seria bom. O nome da obra será “Amor, árdua tortura”, são as coisas que meu alter ego gosta de escrever, obras sentimentais. Não me comparem a ele estou velho demais para acreditar nas besteiras que saem de sua imaginação. Estou cansado dele, pra falar a verdade.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Ontem a noite, Jackie começou a pedir para falar coisas bonitas na cama. Achei que era uma piada. Mas insistiu:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- sei que dentro dessa casca grossa tem beleza… vai, sopra uma coisa bonita no meu ouvidinho…&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Me calei e a tratei com o carinho de uma britadeira. Ela não reclamou. Não imaginei que iria, o estranho foi pedir carinho, Jackie, como todas as mulheres, por mais que não confessem, gostam com força. Força vem com o pacote. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Mas costumo fazer o que pedem e seguir como sou guiado. A pouco descobri que tenho um membro acima da média, mas em todos os outros quesitos, sou um merda na cama. Sigo instruções como um estudante de aula prática de motorista, com o professor podendo frear ou tomar guia a qualquer momento.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- só me diz uma vez, me interrompeu mais uma vez, já que me ama, não está fudendo com mais ninguém, né? &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- já viu o trabalho que me dá pra arrumar uma pra fuder, brinquei com mau gosto e me levantei do computador pelo mínimo de tempo necessário para que parasse de atrapalhar. Dei um beijinho e menti mais um pouquinho. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Me sentei mais uma vez, na tentativa de continuar mais uma romântica condução de licenças poéticas e desculpas pragmáticas. Nesse momento só traria ao papel clichês e temas batidos. Era melhor desistir de uma vez. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Aparentemente tenho que ceder. Jackie não era boba. Sabia que enquanto sóbrio, se continuar a zumbir no meu ouvido, como o mosquito que matei na manhã deste dia que amanheceu lúgubre demais para o Rio de Janeiro, que eu cederia. Desisto de escrever e amo essa mulher. Mas não do jeito que eu quero, do jeito que ela quer.&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-1717795085700828557?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/1717795085700828557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=1717795085700828557&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/1717795085700828557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/1717795085700828557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2008/12/amor-do-jeito-dela.html' title='Amor, do jeito dela'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-3517805149761157514</id><published>2008-12-14T08:47:00.001-02:00</published><updated>2008-12-14T08:47:08.059-02:00</updated><title type='text'>Suando lágrimas</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;digo para ela acalmar. sério, mulher que chora quando goza é demais. sentir que você fez ela sentir tristeza ou felicidade como conclusão de algo que também te satisfaz é raro. estava deitado ao lado de jackie que chorava lágrimas de algo que não direi "felicidade" porque não sou tão bom na cama. mas parei para pensar em todas as mulheres que tinha feito. não sei por que, mas só me vinha à cabeça este acontecimento:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Viajava com a minha namorada da época, Kandi, para a casa de seus pais em São Paulo. Já estava querendo terminar com ela fazia tempo, talvez desde o dia que nos conhecemos. O dia em que nos falamos pela primeira foi mas ou menos assim:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- oi, prazer, Arnaldo.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- oi, me chamo "Quê-in-di".&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- tipo bala, em inglês?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- isso, escrito assim, K-A-N-D-I.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- apelido legal...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- não é apelido.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- ah tá&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Como terminamos namorando por quatro meses? Sexo. Viajávamos muito, ficávamos nas pousadas mais "pé de chinelo" nos lugares mais lindos (Búzios, Angra, Ouro Preto, etc...), mas não saíamos do quarto. E isso durou muito tempo mesmo. &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Até a grana acabar, o que foi rápido, pois, depois de um tempo, para aguentar o antes e depois do sexo, eu tinha que me entorpecer. Mas ela adorava foder. Quando estávamos com problemas geográficos e tinhamos que ir para motéis, botava as cartas na mesa, e ela pagava.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Essa viajem, que já fazia no negativo, era a viajem que esperava desde nossa primeira conversa. Além de me ensinar a soletrar o seu nome, me contou que tinha uma gêmea idêntica. E brincava, falava que era a "gêmea má". E eu brincava de volta, falando que um dia ia confundir as duas. Brincadeiras podem ser planos...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Fernanda realmente era idêntica a Kandi, só não entendi porque os pais optaram por não foder o nome dela também. No entanto, usava roupas mais conservadoras, talvez por morar em São Paulo, onde, ao contrário das ruas de Copa, onde se pode ferver ovos onze de doze meses do ano, de vez em quando faz frio. Mas, mesmo com suas saias mais longas e casacos de manga longa, podia-se ver que estava com a irmã errada.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Como em Sampa estava um frio de merda, ficamos em casa a primeira noite e pude conhecer a família (só Kandi morava no Rio com sua prima). &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;(o conhaque ao lado da máquina onde escrevo está cheio e estou bêbado demais para descrevê-los, resumo: pai veado e mãe gorda, clássica família careta)&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Na segunda noite, acabei em um motél sozinho e me fudi. Mas isso foi no fim da noite. Saímos: eu, Kandi, Fernanda e Roger. Roger era um colega de Fernanda com quem mantinha uma relação que faria até Platão rir. Fomos todos para um barzinho e logo notei que estava um calor infernal. Kandi reclamou um segundo antes mim (ri, pois normalmente o reclamão sou eu). Kandi virou e falou:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- vamos só ficar uns quinze minutinhos, está muito quente, está me deixando molhada.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- hahaha! você é louca, mas quero conhhecer sua irmã.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- vai me deixar na seca hoje, é?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- pode ser, quem sabe não vou pra cama com a sua irmã sem querer.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- hahaha, nem brinca.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Não brincava. Sua irmã vestia um vestido longo, justo e decotado. E que decote! Decote que virava a cabeça até das mulheres sentadas no bar. Sentei entre as duas irmãs e fiquei a conversar com Fernanda. Cortava Kandi quando tentava entrar na conversa e Roger se foi sem eu nem perceber. Kandi estava vermelha de raiva e ciúmes.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- Arnaldo, vamos! falou em um tom que não gostei.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- Fernanda, quer ir?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- senta Kandi, está cedo, demandou sua irmã.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Kandi me puxou pela camisa e disse em um tom ameaçador:&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- se não levantar agora...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- me solta, vadia! &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Já estava muito bêbado, o xingamento veio sem querer. Foi o suficiente para Kandi virar e sair batendo pé em direção a porta, chorando. Uma pequena parte de mim que raramente sobrevive ao afogamento alcólico ficou preocupada.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- acho bom ir pedir desculpas... sua irmã estava chorando...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- ela fica assim sempre que chego perto dos namorados dela.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- (me interessei) e por que seria?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- porque já fiquei com todos os seus antigos namorados.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Achei que tinha delirado, mas senti sua mão puxando minha perna para me sentar de vez. Não fiz força contra. Quando me sentei pedi duas cervejas e duas cachaças.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- espero que não tenha me interpretado de forma errada.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- não. Só fiquei curioso.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- é uma coisa que acontece, na verdade nem precisa me embebedar.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Nessa hora me deu um beijo forte e apaixonado, não acreditei. Era uma mistura de tesão e uma confusão mental enorme (fisicamente, era Kandi, mas o jeito que mordia meus lábios tinha sua própria assinatura). Também estava bêbado demais para pensar algo mais profundo que "pisou na merda? Agora de sambar!". Então paguei a conta com o meu cartão de crédito (que de crédito já não tinha nada) e agarrei Fernanda pelo braço. Perguntei pro motorista de taxi, que me fez uma cara de reprovação, onde era o motél mais próximo. Ao chegarmos Fernanda foi logo pegando a camisinha no bolso de trás da minha calça e fui levantando se vestido. Não usava sutiã e seus seios superavam os da irmã, mas pecava nas cadeiras. Usava, no entanto uma calcinha muito sensual que servia como distração. Tirou minha calça e fez o favor de colocar a camisinha (que quando bêbado é um grande favor!). Quando a deitei e comecei a puxar sua calcinha, ouvi um gemido junto com um pedido para parar.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- desculpa, falei instintivamente, sem fazer idéia do que tinha feito.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- não é sua culpa, isso sempre acontece.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- isso o que, acho que mereço saber...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- preciso ir...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- peraê, talvez se a gente beber mais um pouco (afinal já tinha estragado tudo com uma irmã...).&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- sempre faço isso! começou a chorar como criança. você é da Kandi!&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- depois disso, concluo que não mais, falei pensando alto.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- desculpa! saiu da porta ainda se vestindo.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Fiquei sentado na cama perplexo, sem ação. Passaram uns quinze minutos e me levantei, corri até a pia e vomitei. Pensei, "a única coisa que me faz pior que misturar bebidas, é misturar mulheres, principalmente irmãs gêmeas". Dei uma risada sozinho e vomitei mais.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Quando voltei para cama, percebi um calor fortíssimo. Não havia ligado o ar condicionado e não achava onde ligar. Lembrei que todas as vezes que estive em motéis estava bêbado e quem ligava o ar era a mulher. Olhei para o celular e percebi uma ligação perdida. Era de Kandi e pensei, "ela sabe ligar o ar!".&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- alô, Kandi?!&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- Fernanda chegou agora, ela te levou pra cama e não te deu, né? Ligou pra pedir desculpas?&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- Kandi, onde eu ligo o ar...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;- queima no inferno.&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Desligou na minha cara. Ironicamente, estava "queimando no inferno" como ela queria. Nunca mais ouvi falar das gêmeas. Nunca passei tanto calor como naquela noite. Se pelo menos pudesse usar a quantidade de lágrimas que causei ao decorrer da noite para me refrescar...&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;b&gt;&lt;br/&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Arnaldo Pereira&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;     &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-3517805149761157514?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/3517805149761157514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=3517805149761157514&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/3517805149761157514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/3517805149761157514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2008/12/suando-lgrimas.html' title='Suando lágrimas'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-5887982247210235132</id><published>2008-12-12T06:32:00.001-02:00</published><updated>2008-12-19T03:00:10.070-02:00</updated><title type='text'>Metade do rosto: Annie - prólogo de "foda e a morte"</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;Após uma assinatura do livro de Jackie fomos em grupo para uma boate local. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Sempre gostei de Jackie, não por seus seios suculentos ou seu rebolado provocante, mas por um dia ter virado para mim e ter dito: Não quero onça, nem tigre, nem leão, quero um gatinho. Falava de homens, achei ótimo, poucas pessoas me fazem rir quando não estou entorpecido, Jackie era uma delas. Só iria para a boate por Jackie, mas quando rejeitei o programa virou-se para mim e disse:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Arnaldo, sei que não gosta de gente, mas aquela Annie vai estar lá. Lembra que falei dela (não lembrava, devia estar bêbado na hora). Cara de meninota, do jeito que gosta, interessada no que escreve, só encontrar com ela e pronto. Não a conheço mais do que isso mas sei que gosta desse estilo.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Realmente, era o meu estilo de garota. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Os livros de Jackie eram péssimos, mas sabia usar as palavras, desde que não as botasse no papel. Jackie nos arrastou para uma boate para dançar mas, como todos já esperavam fui direto para o bar. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- vai querer o quê? perguntou o bartender.&lt;br/&gt;- teu nome e algo que me faça esquecer que estou aqui. Algo forte.&lt;br/&gt;- Tony, estou vendo que vai passar a noite comigo, no bar, digo.&lt;br/&gt;- hahaaha, Arnaldo, prazer. Estou com o grupo da Jackie. Procurando uma Annie, conhece? frequenta aqui.&lt;br/&gt;- Sei quem é, só que costuma chegar mais tarde.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Fiquei sentado. Tony tinha uma barba estilo ZZ Top, incoerente com o local. Falou que como estava com o grupo de Jackie, bebia de graça. Fiquei contente e resolvi encher a cara. Tony comandou qual seria a bebida que me derrubaria.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- quero ver se tu segura essa. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Senti um gosto forte de cachaça, alguma fruta e outra bebida forte que não identifiquei qual era.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- é forte, tu não vai passar da segunda, disse sorrindo atraves da barba.&lt;br/&gt;- Tony... você não me conhece.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Já via uns cinco copos na minha frente:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- tá vivo, Arnaldo? &lt;br/&gt;- tranquilo, quantas já foram?&lt;br/&gt;- tua amiga tá vindo sentar do seu lado, levanta aê!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Nem percebia, mas estava totalmente côncavo por cima do bar, deplorável. Fiquei ereto ao vê-la. Ao vê-la fiquei ereto. Annie chegou com a maior naturalidade e sentou do meu lado. Tive dificuldade de focar no seu rosto e Tony me trouxe uma água. Só via metade do rosto de Annie. Seu cabelo claro caía por cima da outra metade.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Annie, falei (pelo menos eu acho), prazer, Arnaldo.&lt;br/&gt;- Arnaldo Pereira, né. Amo a sua poesia como "João Vianna", me toca. Jackie me falou muito bem de você, o verdadeiro você.&lt;br/&gt;- é, ela tem um jeito com palavras, é como se já te conhecesse.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Realmente tinha um corpinho de menina, um rostinho (ou pelo menos a metade que via) de porcelana, olhos claros, seios médios e usava uma roupa, digamos, "mini" (saia, blusa, tudo minúsculo). Ainda estava muito bêbado então a deixei falando. E como falava! Só conseguia imaginar deitar aquela menina e tirar aquele olhar inocente de seu rosto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Depois de sobrear um pouco resolvi arriscar:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Annie estou adorando conversar com você, só que aqui está muito barulhento. Quer partir para o meu apê?&lt;br/&gt;- só se quando a gente chegar a gente fuder.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não acreditei. Achei que tinha ouvido coisa. Mas quando pegou minha mão e me arrastou em direção a um taxi na porta da boate. Metia a mão na minha calça no caminho, subiu o elevador com uma perna acima da minha cintura, com sua calcinha encharcada esfregando contra a minha barriga exposta, pois tinha aberto minha camisa. Quando praticamente caímos do elevador, a coroa que mora ao lado estava entrando no elevador, e levou um susto. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- sinceramente, Arnaldo, chega dessas suas putinhas! Quando vai arrumar uma mulher que aprecie seu talento e não seja mais uma devassa burrinha, como sempre!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Enquanto a velha me dava um esporro, já havia tirado a calcinha de Annie e a encostava contra a parede. Nessa posição aproveitava aquele corpinho e conseguia abrir a porta do meu apê. Só quando entramos, a coroa terminou seu sermão (pelo menos eu acho, fechei a porta na cara da coitada).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='center'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;***&lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Após o ato, olhei para o pé da cama e vi Annie sentada. Estava acabado e muito enjoado, cheguei a conclusão que o certo seria tentar dormir, mas uma parte da conversa que tive com Tony voltou como um flash antes de mergulhar no inconsciente:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- vou te contar um segredo sobre Annie, disse Tony.&lt;br/&gt;- por que?&lt;br/&gt;- porque bebe bem para caralho.&lt;br/&gt;- manda Tony.&lt;br/&gt;- a garota que espera tem um apelido.&lt;br/&gt;- fala Tony.&lt;br/&gt;- vai reparar que usa uma franja que cobre por completo metade de seu rosto.&lt;br/&gt;- e daí?&lt;br/&gt;- seu apelido é duas caras...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;div align='right'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Arnaldo Pereira (vide: A foda e morte) &lt;/font&gt;&lt;br/&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-5887982247210235132?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/5887982247210235132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=5887982247210235132&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5887982247210235132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5887982247210235132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2008/12/metade-do-rosto-annie-prlogo-de-e-morte.html' title='Metade do rosto: Annie - prólogo de &amp;quot;foda e a morte&amp;quot;'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-5000261193095880923</id><published>2008-12-01T22:45:00.001-02:00</published><updated>2008-12-12T04:38:07.255-02:00</updated><title type='text'>A foda e a morte</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;&lt;br/&gt;- aquela senhora? morreu? Annie, a coroa aqui do lado morreu, acredita?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ei Arnaldo, volta pra cama!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- é a polícia, Annie, espera um segundo. Diga seu guarda?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ocupado, "Arnaldo"? perguntou com um tom meio ridículo ao pronunciar o meu nome. A verdade é que sua figura toda me perturbava, a sua barriga de cerveja, o seu bigode clichê de policial... Um merda. E a pouco estava na cama com Annie, que estava tão bem vestida: nua. Recompondo-me, voltei a realidade e ao fedor do policial: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- estou um pouco ocupado, me entende? (fiz um sinal com a cabeça indicando meu quarto e a existência de uma mulher nua na minha cama, sinal que qualquer idiota portador de um pênis entenderia) O policial entendeu como um convite para conversar na minha sala. Como moro no menor quarto e sala do planeta, Annie levou um susto, pois estava descoberta e bem visível. Pulou no banheiro, onde, pra variar, só tinha roupa minha. Eu estava sem camisa, tinha vestido um jeans fudido quando fui abrir pra polícia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- essa é a patroa? perguntou, olhando para a porta do banheiro. que é que um mulherão desses tá fazendo contigo? É grana, né? mas nesse apêzinho de merda, acho que não...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Continuou falando enquanto eu preparava um café e escondia o baseado. Olhando para a porta do banheiro, parecendo um adolescente tarado, esperando Annie sair, continuou:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não precisa esconder esse flagrante, não vou te prender por essa mixaria. Tô aqui porque mataram a coroa, tua vizinha, tu acha que se eu aparecer com um barbudo zé ninguém lá na delegacia por "posse" vai acontecer o quê? Vão rir de mim!&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- mataram a coroa? perguntou Annie, saindo do banheiro usando somente uma camiseta branca e uma samba canção minha (traje sensual demais para aquele punheteiro). Olhou ela de cima a baixo, parecia lamber ela com os olhos. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não preocupa a tua cabecinha, madame, senta aqui do meu ladinho, senta.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Babaca. Sentei ao lado daquele idiota e servi um café.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- conta aí, chefe, o que houve com a senhora? perguntei interrompendo aquele porco tarado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- bom, me respondeu agora com um tom de "autoridade", enquanto vocês tavam bêbados e chapados, fudendo a noite toda, me deu umas “cotoveladinhas” ridículas, alguém invadiu o apê aqui do lado e matou a velha com uma porrada de facadas. Tem sangue pra todo lado... desculpa mocinha, olhou para Annie, mas parece um matadouro do outro lado dessa parede. Não achamos a faca, mas deve ser uma baita de uma peixeira.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- que coisa horrível, disse Annie, pondo a mão no rosto como se para esconder as lágrimas. Com licença, disse ao correr para o quarto...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Olhando para o traseiro de Annie correndo em direção ao quarto até a porta se fechar, o policial foi mais uma vez um nojento virando para mim para falar:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- garoto, quer dizer, "Arnaldo", essa tua mulher tem um rebolado...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- é, seu guarda, pode deixar que tem gostosa assim para todos, resolvi entrar na dele, mas essa aí tem dono (menti, a verdade é que havia conhecido Annie a noite anterior).&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não vou mais incomodar, aparentemente, tu não ia soltar essa mulher para matar uma coroa, né? Demos uma boa risada e levei aquele merda até a porta. Voltei pro meu quarto e bati na porta:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Annie, aquele porco já se foi, podemos ficar juntinhos de novo. Você acredita naquele tarado?..&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Assim que terminei a frase, Annie abriu a porta e correu de novo para o banheiro. No entanto, desta vez seus passos foram seguidos por gotas de sangue. Achei estranho e fui vê-la, meio assustado, achando que talvez houvesse se machucado. Abri a porta e fui surpreendido. Annie estava ajoelhada no chuveiro ligado, nua, lavando um daqueles garfos de duas pontas longas e afiadas, banhado em sangue. Sua face parecia a de uma criança com um presente recém quebrado, metade coberto por seus lindo cabelos loiros e a outra metade afogada em lágrimas. De roupa, entrei no chuveiro com ela. Sussurrei em seu ouvido:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ele errou, né? Não foi uma faca.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- é... não conta?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- pode deixar... olhei-a em seu olhos verdes e abracei-a.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-5000261193095880923?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/5000261193095880923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=5000261193095880923&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5000261193095880923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5000261193095880923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2008/12/foda-e-morte.html' title='A foda e a morte'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-510222967486228235</id><published>2008-11-25T23:39:00.001-02:00</published><updated>2008-11-25T23:41:41.480-02:00</updated><title type='text'>O Balão Trágico</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Quatro horas depois de ela me deixar, já estava na fossa. Literalmente, enchi a cara e caí dentro de uma fossa imunda, aquelas espalhadas pela praia do Leblon. Não lembro como fui parar lá, só lembro dela, “Gostaria que fôssemos somente amigos”, vadia... O Zé (pelo menos ele sempre respondeu por esse nome) do boteco que aparentemente tomei um porre, me achou:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- doutor (eu no lixo, ganhei doutorado)? Ta vivo?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Não consegui responder. Cada palavra que tentava vocalizar, ressoava em silêncio como um terremoto na cabeça. Mexi a mão como confirmando sinais vitais. Não consegui acenar, achei que tinha batido com a cabeça, não conseguia abrir os olhos.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- chama o Reginaldo, o doutor ‘tá vivo, ele me deve cem conto... &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;É possível que aqueles merdas estavam me olhando de cara afundada no lixo e apostando na minha vida? Estes bostas apostam em qualquer coisa. Foi um mendigão que me ajudou:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- ô meu rapaz, eu já durmi em chão de praça, sujo de Deus sabe o que, mas fossa de esgoto... isso eu nunca fiz. Tá fedendo pá caralho, vai pá casa... toma um banho...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ele estendeu a mão, mas não consegui levantar a minha direito. Abaixou mais e me puxou com força. Quando de pé, mas ainda apoiado nos ombros do mendigo sem nome (realmente depois de todo o episódio, não perguntei seu nome...), murmurei algumas vogais, até formar palavras:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- muito obrigado, sério, achei que eu tava na merda...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o senhor tava... ele respondeu, como se citando o óbvio, pois o era. Notório era o fato que se não fosse daqui pro hospital morreria no dia seguinte, se tivesse sorte. Mas continuou: Isso tudo por causa de mulé? Esposa? &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não, não... era só uma mulher que eu tava fudendo (menti), acabou que ela me fudeu, né? Tentei expressar humor em minha tragédia, mas meu tom de voz não saiu direito, acabou saindo bem deprimente.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- o senhor mora por aqui? perguntou, de forma pragmática. Respondi:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- não, Copa. A gente está no Leblon? Perguntei, olhando em volta. Não precisou responder, meu olhar respondia minha pergunta. Me deu um frio na barriga quando percebi onde estava e que precisava ir pra casa ou para um hospital. Quando botei a mão no bolso e tirei uma nota de cinco reais, minha chave e uma tampinha de Natasha, cheguei a conclusão, “Vou pra casa!”. Virei a cabeça para um ponto de ônibus e por um minuto esqueci que tinha sido salvo por alguém.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- senhor, falou, você pode me fazer um favor? Gelei, “fudeu”. O mendigo sem nome salvou minha vida. Ele podia pedir qualquer coisa, e eu, com a minha única camisa social e uma bela calça jeans (estava encharcado, imundo e fedorento, mas bem vestido), o cara poderia pedir dinheiro ou, Deus me livre, asilo. Ficou em silêncio um tempo, um grande suspenso... continuou:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- hoje é aniversário do meu filho, queria comprar um presente pra ele. Meu filho sempre quis ter um balão daqueles que nunca param de voar, sabe? Nunca param! O mendigo parecia achar que era mágica, nunca entenderia o conceito de hélio dentro do balão. Verdade que eu já entendo pouco, esperar o que de um sem teto ignorante? Me perguntou se eu teria um dinheiro? &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Dei os meus cinco reais, sem fazer idéia de quanto custaria um balão desses, provavelmente compraria várias. Ficou muito feliz e mandou Deus me abençoar diversas vezes ao ir embora. Fiquei contente que era só isso que queria.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Quando comecei a me recompor, passei a mão no bolso e lembrei que só tinha aqueles cinco reais. O sol nascia quando pensei, esquecendo todos os acontecimentos das últimas horas:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- puta que me pariu, aqule filha da puta me passou a perna!     &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-510222967486228235?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/510222967486228235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=510222967486228235&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/510222967486228235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/510222967486228235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2008/11/o-balo-trgico.html' title='O Balão Trágico'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-5639492544382356008</id><published>2008-11-22T03:09:00.001-02:00</published><updated>2008-11-22T03:13:19.147-02:00</updated><title type='text'>A última gota</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;div align='justify'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;A pouco troquei a inesgotável vodka Natasha pelo sakê (tanto faz a marca, sempre nacional). Tenho dividido a maioria das minhas noites com esse elixir do oriente, dias também, admito. Estou gastando mais do que tenho para manter o tanque cheio. Sou um “bebum do oriente”. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Estou escrevendo sóbrio e puto. &lt;br/&gt;Fui me servir antes de deitar, como de costume, mas ouvi alguém bater na porta com força: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- abre, Arnaldo, porra! tô toda molhada e morrendo de frio, disse Cass (na verdade este não é seu nome, desde que apelidei-a em homenagem a heroína trágica de Bukowski, esqueci seu nome)&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Tinha pegado uma daquelas tempestades de verão. Ainda pensei em ignorá-la. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Abri a porta com cara de puto, para ver se afastava-a, mas pensei que seria bom dar uma foda antes de dormir. Escrever sóbrio é péssimo porque lembro de coisas demais como a necessidade de descrever Cass antes de continuar. No entanto, é uma descrição fácil: olhos verdes, peitos pequenos (franceses), traseiro bem torneado (brasileiro), personalidade forte e uma imensa falta de respeito por si própria. Cinco piercings (três na orelha esquerda, um na direita e um no nariz) e sete tatuagens (todos os clichês possíveis, menos a borboleta na sua nádega esquerda)... mas chega de Cass. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- entra garota, que susto! eu disse, enquanto a ninfa entrava, tirando seu vestido, ficando só de calcinha. Andava, de maneira bastante intrusiva, em direção ao meu banheiro, quando, ainda de costas perguntou:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- posso pegar essa camisa para me secar, não encontro toalha?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- claro, pega aí, como vou recusar essa borboleta? falei, quer um drink, Cass?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- adoro quando me chama assim (eu sei que ela gosta, nunca leu Bukowski, não sabe o destino da verdadeira), ainda tem daquele sakê da última vez?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Dilema: queria deixá-la um pouco bêbada, para, não vou enrolar, me aproveitar dela. No entanto, só tinha na geladeira uma garrafa de Coca e meu precioso sakê. Como sou, antes de um bêbado pós-moderno, um homem, não resisti quando Cass apareceu usando uma de minhas camisas sociais mais curtas e sua calcinha minúscula, pegou a garrafa da geladeira e literalmente mamou a o sakê até a última gota. Embora meu plano parecesse estar funcionando, suas últimas palavras da noite me provaram que o tiro havia saído pela culatra: &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- estava em uma festa louca, bebi muito, acho que essa última dose foi demais...&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Neste momento, estou escrevendo, na minha insônia de sempre, sóbrio e puto. Estou ouvindo uma mistura de sons, o sofrimento do rock de Mark Lanegan no meu quarto e o sofrimento do regurgitar Cass no banheiro.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Já me pediu para segurar seu cabelo, um copo de água, qualquer tipo de ajuda... mas sinceramente, minhas mãos estão ocupadas.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-5639492544382356008?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/5639492544382356008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=5639492544382356008&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5639492544382356008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/5639492544382356008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2008/11/ltima-gota.html' title='A última gota'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3944087602739909177.post-4832305163436873069</id><published>2008-11-19T00:01:00.000-02:00</published><updated>2008-11-22T03:17:13.334-02:00</updated><title type='text'>A puta que sorriu pra mim</title><content type='html'>&lt;div xmlns='http://www.w3.org/1999/xhtml'&gt;&lt;font face='Times New Roman'&gt;Andava de pés descalço pelo calçadão de Copacabana as cinco da manhã. Tinha acordado esse horário por causa de uma merda de uma ressaca que veio mais cedo, e deus sabe por que, fui dar uma caminhada. Falam muito bem do nascer do dia da praia de Copa, mas revogo tal idéia.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Aguardava esse prometido espetáculo, andando agora de braços cruzados. O chão estava gelado e sujo e assim ficaram meus pés. Resolvi andar um pouco na areia, mas quando virei esbarrei em uma rapariga. Estou sendo falsamente educado, perceberá, não sou assim.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Olhei para o chão e vi uma criatura única. Seu seio esquerdo saltava para fora de sua regata rosa. Não era possível ver no seu rosto suado, mas a devassa já estava no ato sexual, de certa forma, pois caiu em seu traseiro, que engoliu oitenta por cento de seu “shortinho” jeans, e, se usava calcinha, foi engolida por completa, pois tive uma visão um tanto quanto privilegiada.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;No entanto, sorria. A puta sorria! Incrédulo, ofereci ajuda, mas vendo a visão que tinha olhou para cima e pergunto com uma voz, digamos, tosca:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Gostou, gato?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Já havia começado a levantá-la, quando falei em um tom monótono e de forma polida:&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;- Não, obrigado, falei e olhei para o horizonte, somente para perceber que havia perdido qualquer "espetáculo de Copa" que valeria acordar, de ressaca, as cinco da manhã e levantar da cama. Agora para de sorrir e vai pro inferno de onde veio, vadia! completei puto.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ao cair mais uma vez no chão, agora porque a soltei, gritou diversas palavras tão xulas quanto as que já usei no texto, mas prefiro não recitá-las. Continuei o meu andar, agora sentindo o chão esquentar sob meus pés. Quando cheguei em casa, a mulher que passou a noite a gemer na minha cama, puta que me escapa o nome, me recebeu de volta sob os lençóis.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Me deu bom dia, sorriu pra mim, e virou.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Arnaldo Pereira&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3944087602739909177-4832305163436873069?l=versosporcos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://versosporcos.blogspot.com/feeds/4832305163436873069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3944087602739909177&amp;postID=4832305163436873069&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/4832305163436873069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3944087602739909177/posts/default/4832305163436873069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://versosporcos.blogspot.com/2008/11/puta-que-sorriu-pra-mim.html' title='A puta que sorriu pra mim'/><author><name>João Vianna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15052433237237891237</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
